Muito Prazer

“MUITO PRAZER” Nair Lúcia de Britto Quando saí do Colégio de freiras ao concluir o Ginásio, eu e algumas colegas de turma fomos para um Colégio Misto para cursar o “Clássico”.   Sentiamo-nos um tanto deslocadas naquele ambiente descontraído onde, na hora do recreio, conversas e risadas rolavam soltas com sincera espontaneidade. Olhávamos com o rabo de olho, como se dizia, para os rapazes; e … Continuar lendo Muito Prazer

Meu superpoder

Allexsander de Souza * Hoje quando vejo os desenhos de super-heróis com meus filhos, lembro-me de ter manifestado um superpoder que infelizmente só ocorreu um dia. Pena! Teria sido muito útil, mas a única vez que funcionou, salvou minha vida. Tinha 8 anos. Seguia para casa de minha avó, Dindinha, a pé. Era a primeira vez que seguia sozinho. Desta forma, sozinho, notei muitas coisas … Continuar lendo Meu superpoder

Barata

Ronie Von Rosa Martins publicado em 02/08/2010 http://www.partes.com.br/contos/barata.asp Não. Não era Gregor. Mas era imenso. E era uma barata. E sendo o que era rastejava. Movimento silencioso-furtivo. Era o que era. E ponto. Barata. E estava no lixo. Todos não estavam? Todos não eram baratas? Não eram? E empanturrava-se de tudo. A fome intensa. Pretensa forma da fome. Saciar. Saciar os espaços todos do corpo, … Continuar lendo Barata

O quadro

Ronie Von Rosa Martins publicado em 14/06/2010 Antes de entrar ele pressentiu. Frio estranho lambendo o corpo. Arrepio bolinando a alma. Com calma. Mesmo assim entrou. Sempre entrava “mesmo assim”. E naquele dia resolveu ver. Observar. Coisas que não via. No cérebro, algo sempre tilintava. Sinal? Tinha sempre a sensação de que sua visão não era boa. De que não conseguia ver tudo. Olhava. Olhava … Continuar lendo O quadro

O homem sentado

Ronie Von Martins publicado em 31/03/2010 http://www.partes.com.br/contos/homemsentado.asp.htm Engolia todas as dores. E já se acostumara. Não havia dor que não estivesse acostumado a engolir. Todas. Friamente às engolia. Às vezes mastigava-as. Lentamente. Tudo ao seu redor era lento. Denso. Tudo era denso. Densidades estratificantes que lhe cobriam, envolviam em camadas. Como uma cebola. Não comia cebolas. Os movimentos eram raros, da cama ao assento frente … Continuar lendo O homem sentado

Meu nome é Legião

Ronie Von Rosa Martins publicado em 03/05/2010 http://www.partes.com.br/contos/meunomelegiao.asp Em nosso pacto de União, combinamos todos de pelo menos na hora da morte estarmos juntos. Levantamos todos no mesmo instante, as mazelas da anterioridade ainda fermentando suas significações precárias em nossos cérebros e sentidos. O tempo. Sabemos, todos, que nossa fragmentação mesmo que dolorida é necessária… mais que necessária, é exigida. E mesmo que saibamos da … Continuar lendo Meu nome é Legião

Sapos e escorpiões

Rodrigo Neres publicado em 02/03/2010 http://www.partes.com.br/contos/saposescorpioes.asp   A maior descoberta da minha geração é que qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude. (WILLIAN apud CARLSON, 1998, p.15)   A luz do sol refletia na água do caudaloso riacho que cortava em duas partes o belo e movimentado bosque. Alguns animais achavam que havia animais com muita sorte, outros se achavam a si … Continuar lendo Sapos e escorpiões

O homem consumido

Ronie Von Martins publicado em 02/03/2010 http://www.partes.com.br/contos/homemconsumido.asp Os olhos em lágrimas que jamais não chorariam na pele da cara sua, brilhavam no rosto da cibernética outra criatura. Quadrada forma de intenso devorar a ação. Preso. E junto todo o resto e entorno. A carne mastigada em luz, cuspida em sites, cortada em sítios, a imagem rápida; diversa; de tudo quanto é nada. Um nada presentificado, … Continuar lendo O homem consumido

O Porco do Natal

Aparecida Luzia de Mello* publicado em 18/01/2010 http://www.partes.com.br/contos/porcodonatal.asp   Foi logo após o almoço de Ano Novo, com a mesa farta e a família reunida que, sem querer, começou o jogo da memória. Alguém falou sobre o antigo sabonete “Vale Quanto Pesa”. Este era o sabonete da família. Seu preço era acessível, seu tamanho – enorme – todavia ao lembrar seu cheiro horrível, as filhas … Continuar lendo O Porco do Natal

A Mascarada

por Renato Mafra o já estava começando a se sentir mal com aquela dúvida calcitrante na sua mente. Já não aguentava mais ficar imaginando o que haveria por detrás daquela máscara. Será que era algum tipo de deficiência física?, talvez um acidente que tivesse mutilado parcialmente o seu rosto, ou seria apenas uma fantasia daquela mulher?, quem sabe?, ela seria casada e não queria ter … Continuar lendo A Mascarada