COVID-19: competição da USP busca soluções para ajudar bares e restaurantes

Clientes estão proibidos de consumirem no interior de bares e restaurantes durante a pandemia de COVID-19. Foto: Pexels

Em meio à pandemia de COVID-19, um dos setores mais impactados pela necessidade de isolamento social é o de food service, responsável por todo tipo de alimentação fora do lar. Investir na ampliação dos serviços de delivery tem sido uma alternativa imediata adotada por muitos estabelecimentos, mas será que tal medida é suficiente para evitar futuros prejuízos e demissões? Passada a crise gerada pelo novo coronavírus, qual será a melhor estratégia para reerguer e acelerar a recuperação dos empreendimentos afetados?

Para auxiliar pequenas e médias empresas do ramo a enfrentarem esses e outros desafios, a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP e a Cargill realizam, entre os dias 25 de abril e 11 de maio, a 3ª edição da maratona tecnológica SancaThon que, neste ano, desafiará os participantes a desenvolverem, em uma semana, modelos de negócios, produtos, serviços e tecnologias para o food service, considerando os novos comportamentos do consumidor. Realizada anualmente de forma presencial, em 2020 a SancaThon será promovida 100% online e oferecerá até 300 vagas. 
Antes do início da competição, os participantes terão acesso a sessões de conteúdo com diversos especialistas sobre o contexto e necessidades do atual cenário, apontando as principais demandas e dificuldades dos empresários do setor. Durante a maratona, os desafiados contarão ainda com a orientação de mentores das diversas áreas da engenharia, negócios e programação, que os ajudarão a sanar dúvidas para acelerar o desenvolvimento das ideias. A competição é aberta para a participação de jovens desenvolvedores, designers, além de profissionais dos ramos de marketing e negócios, que poderão disputá-la em grupos de quatro a seis pessoas, desde que a equipe possua pelo menos um membro com cada habilidade exigida. Gratuitas, as inscrições devem ser feitas até o dia 24 de abril, diretamente pelo site do evento, onde também é possível conferir a programação e o regulamento completo da iniciativa. 
Após o término da primeira semana do desafio, as equipes deverão gravar um pitch de cinco minutos para demonstrar a solução criada à banca avaliadora. Entre os critérios adotados para análise dos jurados estão: apresentação; criação de protótipo e sua funcionalidade; diferencial tecnológico; aplicabilidade; criatividade; diferencial de mercado; e continuidade do projeto. Na segunda etapa da competição, que também terá duração de uma semana, até 20 equipes serão selecionadas para receberem R$1.000,00 para aperfeiçoarem suas ideias.

Ao final do evento, o grupo vencedor receberá um prêmio de R$2.500,00, além de três meses de acesso gratuito à plataforma Alura. Já os vice-campeões, serão agraciados com a quantia de R$1.500,00, enquanto o terceiro colocado será premiado com R$1.000,00. Os três melhores grupos ainda terão a possibilidade de receber apoio financeiro por parte de investidores ou negociar o repasse de propriedade intelectual. Outros prêmios ainda poderão ser anunciados durante a competição.

Cenário preocupante – Segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o setor conta atualmente no Brasil com cerca de 6 milhões de trabalhadores. Desses, ao menos 350 mil deverão perder seus empregos durante a crise de COVID-19, mesmo após a assinatura da Medida Provisória nº 936, no último dia 1º de abril, que instituiu uma série de ações para combater as demissões em massa pelo País.

“O mercado de food service tem sofrido um duro impacto em função da COVID-19, fazendo com que empresas de pequeno e médio portes ligadas ao setor careçam de soluções criativas para sobreviverem e se recuperarem nos períodos durante e pós-crise. A escolha desse tema para a Sancathon 2020 exalta a preocupação e o engajamento da USP e das empresas colaboradoras do evento em superar os problemas sociais e econômicos agravados pela pandemia”, afirma José Carlos de Melo, professor do Departamento de Engenharia Elétrica e de Computação (SEL) da EESC e um dos colaboradores da iniciativa.

Para o diretor geral da Cargill Foods para América do Sul, Augusto Lemos, a SancaThon será uma oportunidade de estimular a criação de soluções para combater a crise pela qual o setor está passando: “Estamos vivenciando um momento de incertezas, onde teremos que buscar novas alternativas para antigos hábitos e negócios. Para auxiliar pequenas e médias empresas do ramo a enfrentarem esses e outros desafios, junto com a principal universidade do país, queremos trazer ideias e inovação para pensarmos sobre as tendências para o food service”.

Além da questão do desemprego, outra equação que ainda carece de respostas é sobre uma eventual reformulação do modelo de trabalho de alguns estabelecimentos. De acordo com pesquisa divulgada em 2017 pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), seis em cada 10 restaurantes de pequeno porte no Brasil adotam o sistema de atendimento self-service, prática que está proibida por tempo indeterminado. 
“O efeito da pandemia na emoção, valores e comportamento dos indivíduos está gerando uma ambiguidade ímpar, subvertendo desejos e prioridades dos clientes e, consequentemente, afetando estratégias em curso de diversas empresas. A pandemia acelerou a era da digitalização, pois, em poucos dias de isolamento social, floresceram uma série de negócios digitais e observamos empresas gigantescas se reinventando para aderir ao mundo virtual em prazos nunca vistos. A crise do coronavírus está antecipando uma nova arena de negócios, que aos olhos do empreendedor significa oportunidade”, explica Daniel Amaral, professor do Departamento de Engenharia de Produção da EESC e um dos organizadores da SancaThon.

Realizada anualmente de forma presencial, em 2020 a SancaThon será promovida 100% online e oferecerá até 300 vagas. Foto: Henrique Fontes/SEL

Sobre a competição – A SancaThon é uma maratona de desenvolvimento de tecnologia criada em 2018 pela EESC que fomenta a cultura empreendedora e desperta o desejo dos participantes de desenvolverem projetos inovadores através de uma proposta direcionada, oferecendo mentores e treinamentos para auxiliá-los na elaboração de protótipos e modelos de negócios viáveis. O evento é realizado em conjunto pelo Centro Avançado EESC para apoio à Inovação (EESCIn), Cargill, Núcleo de Empreendedorismo da USP São Carlos (NEU-SC) e pela Semana da Integração da Engenharia Elétrica (SIEEL).

“A Engenharia é a arte de identificar problemas, e propor e desenvolver soluções para a preservação e melhoria da qualidade de vida da sociedade. A crise, como a pandemia que vivenciamos, exige, subitamente, novas soluções para problemas desconhecidos. Esse é o momento em que a criatividade humana leva a novas descobertas, inventos e estratégias, a partir do desafio, da aflição e da esperança. A Hackathon proposta, certamente, apresentará novas soluções de interesse imediato” afirma Edson Cezar Wendland, diretor da EESC.

A SancaThon 2020 será realizada em conjunto com parceiros de toda a cadeia do Food Service, como BRF (pelo BRF Hub), Outback, Abia, Abrasel, Grupo Alento, Arco Foods, Irmãos Avelino, Galunion, GS&Libbra, FCSI Latam, Mintel, Fispal Food Service, Delivery do Bem, Zygo Tecnologia, Liga Ventures e Foodtech Hub.

Texto: Henrique Fontes – Assessoria de Comunicação do SEL/USPCom informações da Assessoria de Comunicação da Cargill

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