Auxílio emergencial de R$ 600 não será suficiente para sustento das famílias

Ana Carolina Rodrigues analisa ainda que a vulnerabilidade social e invisibilidade das camadas mais pobres interferem na aplicação de medidas como isolamento social

DO JORNAL DA USP – RÁDIO USP

 

 

Precariedade do trabalho, indicadores sociais e aumento do contágio com a gravidade dos casos do novo coronavírus estão relacionados. Historicamente presente no Brasil, a problemática da desigualdade social se agrava neste momento de pandemia. O Jornal da USP no Ar conversou sobre o tema com a professora Ana Carolina de Aguiar Rodrigues, do Departamento de Administração da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP. 

De acordo com a pesquisadora, “diante de toda situação atual, o isolamento social é necessário e muito recomendado. Temos que olhar para as pessoas que sabem sobre isso e gostariam de estar em quarentena em casa [mas não podem]. No Brasil, diferente de outras realidades e contextos, falar dessas medidas é também passar por questões socioeconômicas”, explica Ana Carolina. Ela ressalta que este aspecto deveria moldar as diretrizes e ações a serem tomadas pelos governos no País.

Aplicativo Auxílio Emergencial ao Trabalhador – Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

Segundo ela, há 47 milhões de pessoas em ocupações que são instáveis no mercado de trabalho, além dos 4,4 milhões de empregadores que são pequenos empresários e comerciantes, e 6,2 milhões de trabalhadores domésticos. Juntos, eles representam o grupo mais vulnerável neste momento, são os que não conseguem ficar em casa. “O que acontece é que essas pessoas precisam escolher entre ficar em casa e se proteger ou irem trabalhar para sobreviver.”

No Brasil, existe uma dificuldade na previsão de contágio e agravamento de casos da covid-19, que são subnotificados devido à não aplicação de testes em massa. “No dia 12 de março, o governo restringiu o diagnóstico na rede pública apenas para casos graves, mas os testes continuaram na rede privada. Os casos visíveis na cidade de São Paulo estão presentes nos bairros que concentram as classes A e B”, analisa Ana Carolina. E lamenta: “Como pesquisadora, eu não posso dizer que nesses bairros é onde estão os casos, mas é onde eu consigo enxergar eles. O restante, que depende da rede pública para diagnosticar, não tem diagnóstico e a gente continua invisibilizando essas pessoas neste momento”.

Por isso, a professora observa a possibilidade de casos graves da doença nessa camada da população ser maior. Justamente por isso, se faz necessário e urgente que as políticas sejam direcionadas para as classes E, D e C, que não são as mesmas quando se olha para as classes A e B. O chamado “coronavoucher”, no valor de R$ 600 por três meses, foi uma medida adotada pelo governo federal para amparar os mais pobres, porém é insuficiente, segundo a pesquisadora. “Definitivamente, esse valor não é suficiente. Mas é importante dizer que na hora que esse dinheiro cair na conta, as pessoas vão reduzir suas saídas de casa.”

Ouça a entrevista completa no player acima.

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