Pesquisa experimental mostra efeitos positivos da crioterapia no tratamento complementar da artrose de joelho

Banca e pesquisadora que integraram a 500ª defesa do PPGFt da UFSCar (Foto: acervo pessoal)

Estudo de doutorado foi a 500ª defesa do Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCar

 

Avaliar os efeitos da crioterapia (tratamento a base de gelo) sobre a função da marcha e a inflamação sinovial de ratos com osteoartrite (artrose) de joelho. Esse foi o objetivo principal de pesquisa de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia (PPGFt) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O estudo foi conduzido por Germanna de Medeiros Barbosa, sob orientação de Tania de Fátima Salvini, docente do Departamento de Fisioterapia (DFisio) da Universidade.
A osteoartrite é uma condição progressiva e crônica, que se caracteriza estruturalmente pelo desgaste da cartilagem articular e por alterações ósseas. Clinicamente, pode causar dor – muitas vezes pior no fim do dia e aliviada pelo repouso – , rigidez matinal, limitações funcionais e impactar negativamente na qualidade de vida do indivíduo afetado. De acordo com Barbosa, a artrose é considerada a doença musculoesquelética mais comum no processo de envelhecimento e apresenta alta prevalência na população idosa. No Brasil, é a 14ª condição de saúde que gera mais incapacidade funcional. “Por muito tempo, a osteoartrite de joelho foi denominada artrose, sobretudo pelo caráter degenerativo da cartilagem articular. Nos últimos anos, porém, as pesquisas também se voltaram para a importância do processo inflamatório da osteoartrite, que se inicia bem antes das alterações sintomatológicas e radiográficas”, explica a pesquisadora.
O estudo foi realizado com ratos em laboratório seguindo as recomendações do National Guide for the Care and Use of Laboratory Animals. Os animais foram divididos em grupos, dos quais dois receberam diferentes intervenções para a osteoartrite de joelho e foram avaliados em momentos distintos. “De uma maneira geral, identificamos que a crioterapia, com protocolos similares aos utilizados na clínica, facilitou a descarga de peso entre as patas e reduziu a inflamação na cavidade articular do joelho de animais com osteoartrite”, afirma Barbosa.
De acordo com ela, o estudo identificou, pela primeira vez, que a crioterapia reduziu a inflamação sinovial (inflamação do tecido que reveste a parte interna de algumas articulações) em animais com osteoartrite do joelho. “Esses resultados fornecem novas evidências sobre os efeitos benéficos da crioterapia na osteoartrite de joelho, porém, estudos em humanos também são necessários para confirmar essa hipótese, uma vez que o significado fisiológico dessa redução da inflamação deve ser determinado clinicamente”, destaca.
A pesquisadora aponta que diretrizes internacionais indicam que o padrão ouro no tratamento não-farmacológico da osteoartrite de joelho envolve a educação do indivíduo, o controle alimentar e a prática regular de exercício físico. Além disso, Barbosa defende, baseada nos resultados do estudo, que terapias complementares, como a crioterapia – recurso não farmacológico e analgésico, relativamente seguro, de baixo custo e de fácil acesso – também podem ser utilizadas no tratamento. “O principal critério para a adoção desse recurso [a crioterapia] é a presença de dor. Considero que a crioterapia é uma terapia adjunta que, quando bem utilizada e, não havendo contraindicações, tem potencial para minimizar o consumo analgésicos, anti-inflamatórios e de outros medicamentos que podem causar efeitos adversos nos pacientes”, conclui ela.
O desenvolvimento da pesquisa contou com a colaboração de Fernando Cunha e Thiago Mattar Cunha, professores do Departamento de Farmacologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP), recebeu financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

PPGFt
A defesa da tese de doutorado de Germanna Barbosa foi realizada no final de agosto deste ano, sendo a 500ª (quingentésima) defesa realizada no Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia (PPGFt) da UFSCar. O Programa foi criado em 1996, com curso de mestrado; o doutorado iniciou suas atividades em 2001. O PPGFt foi o primeiro programa de pós-graduação em Fisioterapia do Brasil e, atualmente, tem o conceito 7 da Capes, o que reconhece sua excelência acadêmica internacional. A área de concentração é “Fisioterapia e Desempenho Funcional”, com cinco linhas de pesquisa. As informações completas sobre o Programa podem ser acessadas em www.ppgft.ufscar.br.

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Categorias:Educação, Educação

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