28 de julho: dia de valorizar aqueles que se dedicam à arte de produzir alimentos

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Foto: Carlos Alberto Lopes

Secretaria de Agricultura e Abastecimento agradece pelo incansável trabalho do agricultor

No dia 28 de julho é celebrado em todo país o Dia do Agricultor. A data foi criada em 1960 quando o então presidente Juscelino Kubitscheck instituiu o Ministério da Agricultura. A agricultura foi responsável pelo desenvolvimento da humanidade; com os primeiros cultivos nasceram as primeiras comunidades e sociedades sedentárias já que a prática nômade, em função da busca por alimentos, já não se fazia tão necessária.

O Dia do Agricultor homenageia aqueles que se dedicam à nobre arte de produzir alimentos, não importa se em pequena, média ou grande escala, grandes ou pequenos empresários rurais, todos do agro são alvo e foco da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

No Estado de São Paulo, o agricultor é atendido pela extensão rural por meio da Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) que está presente em escritórios regionais e Casas da Agricultura, facilitando o acesso às políticas desenvolvidas pelo Governo do Estado.

Fomos a campo para ouvi-los e saber a importância do papel da Secretaria de Agricultura para que se mantenham na atividade não só por uma, mas por várias gerações, se adequando, reinventando, atendendo às novas e sempre crescentes demandas de um mercado cada vez mais exigente.

Foi por estar atenta e mudar o ramo de negócio que a família Gonçalves, do município de Tuiuti, um município essencialmente agrícola formado por várias pequenas propriedades rurais, conseguiu chegar à terceira geração. E já prepara o caminho para o pequeno Henrique de apenas três anos, que em sua linguagem enrolada diz com firmeza que “quer plantar milho e dirigir o trator”. Henrique e Vinícius, de 18, são filhos da Ana Cláudia, a única mulher entre os filhos do casal Adelita e Paulo Roberto Gonçalves que ainda têm Amauri, de 30 anos, Luís Paulo, 29 anos, e Bruno, 25 anos. A sobrevivência de todos tinha que vir da pequena terra que possuem, uma área de 1,2 hectare com estrutura de dois galpões onde criavam frangos para corte.

Vindos de família de produtores rurais, eles não queriam deixar a propriedade para trabalhar em algum outro negócio e, com a ajuda dos técnicos da extensão rural, conseguiram em menos de 10 anos se reinventar e passar da criação animal para o cultivo. “Há 10 anos eles tinham granja, mas com as exigências cada vez maiores das indústrias na criação de frangos, a atividade se tornou inviável. A opção para uma área tão pequena era investir em estufas e como o preço do pimentão já valia (e ainda vale) o investimento, aproveitaram a estrutura e montaram as primeiras estufas”, conta o diretor do Escritório Regional de Bragança Paulista, Walmir Carmino Pisciottano.

“Apanhamos muito para aprender, era tudo muito novo, mas tínhamos o amor pela terra que vinha de nossa mãe”, disse. Hoje trabalham todos juntos, o mais velho se dedica à comercialização em um espaço na Central de Abastecimento de Bragança Paulista, enquanto Luís Paulo, Bruno e Vinícius cuidam do plantio junto com Adelita. “É um orgulho ver meus filhos e agora meus netos cuidando da terra. Foi e ainda é muito difícil, às vezes vem uma doença, precisamos mudar o manejo, mas o que não sabemos, procuramos a Casa da Agricultura e o Botta (engenheiro agrônomo Francisco Botta) nos ajuda. O que ele não sabe, corre atrás para saber e, com isso, estamos conseguindo tirar o sustento de toda família. Meu pai ainda tem 40 carneiros em um pequeno espaço, mas o nosso forte agora são os pimentões e o tomate variedade salada, cultivado tutorizado em campo aberto”, explica Luís Paulo.

Para atender a demanda, arrendaram mais 1,2 hectare e agora já são quatro estufas e ainda um pouco de milho que serve tanto para a alimentação dos animais. “Ainda sobra um pouquinho de milho verde para vender na feira”, conta Adelita orgulhosa dos seus meninos, filhos e netos que vem garantindo a sucessão no campo. Para Francisco Botta, ver essa família resistindo no campo, sempre pronta a aprender novas técnicas, se aprimorando e conseguindo renda não só para sobreviver, mas reinvestir no campo é motivo de orgulho pela profissão escolhida: “tenho orgulho de ser parte da extensão rural, de poder comemorar com eles o Dia do Agricultor”, afirma o extensionista.

No estado de São Paulo, são inúmeros os exemplos e outro vem da cidade de Itatiba, tão visitada pelos paulistas em função de seu clima e belezas naturais. Pertinho da capital, o município faz parte do Circuito das Frutas que, desde que foi instituído, em 2000, trouxe novo ânimo e valorização ao setor agrícola.

Roberto Ferrari é um produtor diferenciado, atento às novidades, que implantou o cultivo de morango em sistema suspenso em área protegida e, assim, passou a ter o fruto o ano inteiro. A propriedade existe há mais de seis décadas, conta Roberto, que vive ali desde os cinco anos de idade. O pai cultivava uva e caqui, mas como diz o produtor, “não dá para viver com renda em apenas uns poucos meses e o restante do ano apenas com despesas”.
Foi assim que ele começou a diversificar o pomar que hoje tem imensa variedade de frutas: amora, figo, goiaba, atemoia, lichia, jabuticaba, pitaia são algumas delas. A uva ainda permite a fabricação de vinho, cerca de 1.500 garrafas/ano, produção artesanal que é totalmente comercializada.

“Aqui nada se perde”, conta Dona Ivanira que comanda a cozinha junto com uma ajudante que está na casa há mais de 40 anos. O que não é vendido in natura, colhido no pé por visitantes que vêm de todos os lugares para viver um dia no campo, é transformado em deliciosos doces, compotas e licores.

Quem acompanha a saga do casal Roberto e Ivanira e do filho deles, Rogério, é o engenheiro agrônomo José Eduardo Pereira da Silva, que comanda a Casa da Agricultura local com o auxílio de mais três técnicos agrícolas da Prefeitura de Itatiba e um administrativo. “Nossa equipe atende muitas demandas, são várias pequenas propriedades na região e essa parceria entre Estado e Prefeitura tem sido fundamental”, afirma José Eduardo que está há 26 em Itatiba e é recebido, segundo Roberto Ferrari, não só como profissional, mas como “um amigo que nos incentiva, ajuda na tomada de decisão. A Casa da Agricultura é a nossa casa, nos sentimos bem lá”, diz.

Ivanira complementa: “valorizamos os cursos oferecidos em todas as áreas, como os de produção artesanal, turismo rural, que hoje significam uma boa parte da renda da propriedade e garante o futuro do nosso filho Rogério, de 30 anos, que vem trabalhando conosco e vai nos dar um neto em breve, que também vai morar aqui, na propriedade e prosseguir com o trabalho”. Roberto finaliza: “Tenho muito orgulho de ser produtor rural, de produzir alimentos”.

É desse orgulho que as pessoas lá na ponta, os consumidores, também reconhecem este valioso trabalho. “É um trabalho duro, que as pessoas têm que valorizar; muitos não sabem como o produto chegou até o mercado, até nossa mesa”, diz o feirante Milton Hiroshi. Desirée Zamarioli, complementa: “é preciso reconhecer o trabalho dos agricultores, então nosso muito obrigada a todos que trabalham no sol, na chuva, com vento para nos suprir”. Já Rosa Carnielle, agradecida, dá o recado: “não desistam, cultivem, arem, tenham força, coragem, fé e esperança”.

Por: Graça D’Áuria

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Categorias:Agricultura, Notícias

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