Urbanitários apontam irregularidades na Assembleia que decidiu pela venda de distribuidoras da Eletrobras

Na tarde desta quinta-feira (8/2), no prédio da Eletronorte, em Brasília, várias irregularidades cercaram a realização da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de acionistas convocada pela Eletrobras.

As falhas foram da falta de condições mínimas legais para a realização de qualquer evento no local até a realização de uma reunião na qual parte do quórum estava remota e participantes com direito a voto foram impedidos de participar.

Outro ponto que evidencia o alto grau de inconsistência dos resultados é o fato de que o representante legal da União, maior acionista da Eletrobras, registrou o voto, mesmo após declarações de que isso não aconteceria por conta do notório conflito de interesses. (anexo seguem pareceres jurídicos que são contrários ao voto do acionista majoritário e a assunção de dívidas)

Também a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA) da Eletronorte já havia comunicado à diretoria da companhia que a reunião não poderia ser realizada no local, pois era necessário que fossem feitas uma vistoria e uma fiscalização por parte do órgão interno, já que as Anotações de Responsabilidade Técnica referentes aos parâmetros de segurança das instalações estavam vencidas desde 1986 e a renovação jamais foi providenciada pela alta gestão.

O procedimento foi vetado. Além disso, temendo tumultos e atos de vandalismo durante o dia (que não aconteceram), foram instalados tapumes bloqueando quase todos os acessos ao local e obstruindo as rotas de fuga, irregularidade gravíssima do ponto de vista da segurança e que foi também apontada pela CIPA ao Diretor de Gestão da Eletronorte, Astrogildo Quental, que ignorou o alerta.

Acionista minoritário foi impedido de entrar

Questões que levantaram alta suspeição legal sobre a AGE também aconteceram. O representante dos acionistas minoritários, Emanuel Mendes, foi impedido de adentrar ao auditório para registrar o voto contrário à venda das distribuidoras, apesar da presença de policiais militares e federais.

A diretora de energia da FNU/CNU – Federação Nacional dos Urbanitários – e do Stiu-DF, Fabíola Antezana, enfatizou que “se um acionista é impedido de entrar pela própria empresa, é uma demonstração da fragilidade do processo montado pelo governo”.
Apenas uma parte dos acionistas votantes participaram presencialmente da sessão, contrariando o edital de convocação. Alguns dos convocados foram orientados a permanecerem em outros locais e, segundo informações, votaram por telefone.

Entidades representantes dos empregados das subsidiárias da Eletrobras já se manifestaram sobre os acontecimentos. Wellington Diniz, funcionário da Eletronorte e Diretor Jurídico do Sindicato dos Urbanitários do Maranhão falou sobre o evento desta terça-feira: “As irregularidades acontecidas foram claras e só reforçam a pressa e a falta de diálogo do governo sobre a privatização. Agora tudo será analisado pela nossa assessoria jurídica para que as providências sejam tomadas”, declarou.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s