Ensino público de qualidade que vai além das políticas governamentais

Crédito: Divulgação

Escola no interior catarinense melhora os índices de desenvolvimento da Educação Básica mostrando que é possível diminuir a desigualdade brasileira quando o assunto é ensino e aprendizagem na rede pública

O retrato da educação básica na rede pública de ensino no Brasil traz números que mostram a grande desigualdade que existe ao se comparar a realidade das escolas nas diferentes regiões brasileiras. Segundo Júlio Rocker Neto, Gerente Editorial do Sistema de Ensino Aprende Brasil, “é preciso olhar com atenção para esse abismo, principalmente em relação ao Ensino Fundamental 1, que é a base do ensino e da aprendizagem e o alicerce para os anos restantes”. Enquanto alguns municípios conseguem garantir o aprendizado de mais de 80% de suas crianças e jovens, outros não conseguem atingir nem 10%. Menor condição socioeconômica das famílias, nível de escolaridade dos pais, localização em áreas de vulnerabilidade social e falta de recursos de infra-estrutura são alguns dos fatores que contribuem para perpetuar essa triste realidade em muitas localidades. “Há um longo caminho a ser percorrido para resolver o problema e garantir um bom nível de aprendizado. As principais providências e soluções ainda dependem de políticas e investimentos públicos. Mas professores, gestores escolares e também pais e alunos podem colaborar para superar as dificuldades”, garante Júlio.

Exemplo disso é a Escola Municipal Professora Amélia Poletto Hepp, no município de Piratuba, interior de Santa Catarina. Com 550 alunos de Ensino Fundamental 1 e 2, a escola apresenta desempenho que chama a atenção. Em 10 anos, conseguiu aumentar, consideravelmente, um dos principais indicadores de qualidade da educação básica brasileira, o IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Em 2005, o índice da escola para o Ensino Fundamental 1 era de 4,1 e, em 2015, esse número passou para 7,3, ficando inclusive acima da média nacional (5,3) e estadual (6,1).

Investimento no professor

A formação continuada foi uma das maneiras que a direção da escola encontrou de garantir qualificação, comprometimento e motivação dos professores. Além das formações oferecidas pelo Ministério da Educação e pelo Sistema de Ensino Aprende Brasil, a diretora Magrid Auler conta que são realizadas reuniões constantes com os educadores. “As oficinas e encontros são realizados de duas a três vezes por mês, mantendo todos sempre atualizados e garantindo a proximidade entre direção e corpo docente”, explica Magrid. A diretora pedagógica da Editora Positivo, Acedriana Vicente Sandi, reforça a importância de formar e incentivar o professor para garantir bons resultados: “antigamente, os educadores se preocupavam apenas em cumprir uma programação e passar o conteúdo para os alunos. Hoje, eles estão preocupados em como os estudantes vão aprender – e, para conseguirem isso, precisam receber suporte, que vai desde a direção da instituição até o material didático colocado à disposição”, explica Acedriana. Além dos cursos de formação que recebem, 90% dos professores da Escola Municipal Professora Amélia Poletto Hepp possuem Pós-graduação.

Reforço e atividades lúdicas

A escola possui também práticas que reforçam o resultado que obteve: aulas de reforço no contra-turno e acompanhamento psicológico quando necessário. Alunos com dificuldade de aprendizagem e baixo rendimento são acompanhados de perto por professores, psicólogo e direção. As aulas de reforço para Matemática e Língua Portuguesa já produziram bons resultados: 82% dos alunos apresentam bom desempenho em Matemática, superando a média nacional, que é 50%. O mesmo vale para a Língua Portuguesa, com 80% de alunos com bom desempenho, quando a média nacional é de 39%. Para o ensino de Matemática, a escola desenvolve também atividades lúdicas, que fazem os alunos aprenderem brincando. Pelo menos uma vez por semana, estudantes do Ensino Fundamental 1 vão para o laboratório de Matemática trabalhar os conteúdos de sala de aula com jogos e brincadeiras.

Outro fator que ajuda a explicar o bom desempenho desses alunos é o alto índice de envolvimento dos pais: 97% deles participam das reuniões realizadas pela direção da escola e acompanham de perto o desempenho dos filhos. “Quando o reforço é necessário, os pais são chamados e sempre aparecem”, garante Magrid. “A atuação conjunta de direção, professores e pais não deixa margem para brechas e oferece ao estudante todas as oportunidades para um aprendizado efetivo”, finaliza a diretora.  

Anúncios


Categorias:Educação, Educação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: