A grande imprensa e o PT nas eleições presidenciais são tema de livro publicado pela EdUFSCar

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Pesquisa da qual resulta a obra envolveu três jornais de grande circulação, nas sete eleições presidenciais após o fim do regime militar

 

Nas discussões sobre política, são comuns argumentos como: “a imprensa beneficia determinados partidos políticos”, “a imprensa é de direita”, “a imprensa manipula os cidadãos”, entre muitos outros. Vencedor de quatro das sete eleições diretas para presidente da República após o regime militar (1964-1985), o Partido dos Trabalhadores (PT) muitas vezes se apoia na hipótese de que a grande imprensa no Brasil direciona seu trabalho jornalístico contra o partido, com a intenção de formar uma opinião contrária a ele. Para comprovar ou não a hipótese, o professor Fernando Antônio Azevedo, do Departamento de Ciências Sociais (DCSo) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) realizou uma ampla pesquisa em que analisou a relação entre a grande imprensa no Brasil e o PT nas eleições presidenciais. O resultado do estudo está no livro “A Grande Imprensa e o PT (1989-2014)”, que está sendo lançado pela Editora da UFSCar (EdUFSCar).
“A relação entre a mídia e política no Brasil é tema de estudos e debates a partir de uma pergunta chave: como atuam e se posicionam os meios de comunicação nos episódios eleitorais? A literatura existente sobre a questão focava apenas eleições isoladas e não havia uma pesquisa longitudinal que abrangesse a relação entre a imprensa e as disputas eleitorais ao longo da nossa atual democracia. Isso me motivou a fazer uma pesquisa mais ampla para observar o comportamento da imprensa escrita diária, a chamada ‘grande imprensa'”, explica Azevedo.
Mesmo com o avanço das mídias digitais, como a Internet e as redes sociais, e a grande audiência da TV e do rádio, ainda é a mídia impressa, representada por jornais e revistas, a principal fonte de informação e agendamento da política. “É dessa velha mídia, produto da invenção de Gutenberg, que as principais notícias e os comentários têm origem e são replicados na televisão e nas novas mídias”, escreve o autor na apresentação da obra.
Foram analisados os jornais Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e O Globo, tendo como indicadores as manchetes e os editoriais dos 45 dias que antecederam as eleições (esse período foi estendido nos pleitos que tiveram segundo turno) para presidente da República após o fim do regime militar (1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014). O levantamento gerou 1.450 manchetes e 3.164 editoriais.
A escolha da análise das manchetes se pautou na seleção e saliência das notícias publicadas, e dos editoriais na possibilidade de avaliar as posições assumidas pelos jornais diante dos temas em debate envolvendo o PT, seus líderes e governos. “A pesquisa não faz um julgamento de valor da posição dos jornais, até porque é absolutamente legítimo uma publicação assumir editorialmente posições políticas, mas procura analisar essa situação no contexto mais geral que caracteriza o nosso sistema de mídia, marcado pelo monopólio e pela propriedade cruzada dos meios de comunicação. Como o nosso jornalismo ainda é fortemente opinativo, com grande peso nos editoriais e colunas, possui grande impacto na formação da opinião pública, inclusive porque a maior parte dos temas e debates nas novas mídias (blogs, Facebook etc.) é pautada pela imprensa tradicional. Isso não seria um problema se o nosso sistema de mídia fosse plural e diversificado”, afirma Azevedo.
A principal contribuição da obra é apresentar dados sobre o comportamento político da grande imprensa ao longo da Nova República e oferecer, como o faz nas suas conclusões, algumas hipóteses explicativas mais amplas para esse comportamento. “Como nos informam vários autores, a imprensa nos anos 50 e 60 foi muito ativa e entrou no debate político endossando as posições de centro-direita, tanto no Período Varguista (1951-54) como no Governo Goulart (1961-64). Os principais jornais apoiaram o golpe militar de 1964 e, depois, o regime militar. Portanto, os jornais tinham uma tradição de participação política que se dava por uma via conservadora. Assim, diante da clivagem histórica que marca as disputas políticas brasileiras, opondo liberais e nacional-desenvolvimentistas, os grandes jornais sempre estiveram com os primeiros”, finaliza o autor.
Mais informações sobre o livro podem ser obtidas no site http://www.editora.ufscar.br.

Lançamento
O livro “A Grande Imprensa e o PT (1989-2014)”, do autor Fernando Antônio Azevedo, será lançado no 41° Encontro Anual da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs), no dia 23 de outubro, às 22 horas, no espaço de exposições do Hotel Glória, localizado na Avenida Camilo Soares, 590, na cidade de Caxambu (MG).

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Categorias:Notícias

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