O “professor Pardal” de São José dos Campos

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Aulas de laboratório do professor Jarbas, do Colégio Poliedro, contam com inusitados experimentos que auxiliam os estudantes a aprender a matéria de forma divertida

O famoso quadro negro repleto de fórmulas e explicações de Física, Ciências e Química já está ultrapassado para o professor de laboratório destas matérias no Colégio Poliedro, em São José dos Campos (SP). As aulas ministradas por Jarbas Luiz de Noronha Filho, conhecido como Jarbas, fogem do padrão visto em algumas escolas. Seus alunos são desafiados em inusitadas experiências científicas e acabam assimilando conceitos complexos de forma divertida.

Jarbas é um dos professores mais admirados entre os alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. Suas aulas, muitas vezes, contam com música, foguetes, garrafas explosivas e, até mesmo, aquários gigantes. “Os estudantes aprendem bem os conteúdos porque não se tratam apenas de informações passadas. Eles vão ao laboratório muitas vezes sem ainda ter estudado a parte teórica e são incentivados a buscar soluções e a entender a teoria de forma prática”, descreve Jarbas.

Em determinada aula de Química, para abordar o assunto densidade e volume de líquido deslocado (conceito em que, ao colocar um objeto na água, a quantidade de líquido que subir representa o seu volume exato), os alunos tiveram que descobrir quais cubos coloridos iriam flutuar. O detalhe é que os participantes da experiência não poderiam colocar os cubos na água para checar e a descoberta teve que ser realizada por meio de cálculos.

Posteriormente, na mesma aula, os alunos avançaram para calcular o volume de corpos irregulares, como, por exemplo, o corpo humano. De acordo com Jarbas, essa é a parte mais divertida. Para realizar o experimento, um aluno entra no aquário (de 70 cm X 60 cm X 90 cm) para calcular o volume e a densidade do corpo dele. “A aula de laboratório é facilmente mais atrativa para o estudante, no entanto, é muito mais complexa. É preciso realmente criar uma conexão entre o conhecimento e a experiência”, aponta o professor.

Desafio espacial

Em outro projeto interessante, o professor Jarbas desenvolveu a miniatura de um ônibus e uma estação espaciais e lançou um desafio aos estudantes: o de resgatar o astronauta da estação espacial, que corria perigo. Para isso, o astronauta deveria ser liberado da estação, no momento exato da chegada do ônibus espacial. Os alunos, por sua vez, tiveram que desenvolver todo o raciocínio para alcançar o resultado. “O interessante da aula prática é que é feita por eles. Quando os estudantes erram os cálculos, a espaçonave bate na estação espacial ou o astronauta fica perdido no espaço”, conta Jarbas.

Com o sexto ano do Ensino Fundamental II, o professor Jarbas realiza anualmente uma aula sobre pressão positiva, onde os estudantes literalmente destroem garrafas, mas os projetos inusitados não param por aí. O professor também criou uma réplica das semiesferas de Torricelli ( semiesferas de Magdeburg) para ensinar o valor da pressão atmosférica aos estudantes, brincando de cabo de guerra apenas colados pelo vácuo.

Para Jarbas há um conceito ultrapassado em muitas instituições de ensino de que primeiro é preciso aprender o conteúdo e depois realizar experimentos relacionados, mas, na verdade, o que funciona é o inverso: aprender já no laboratório. “É mais fácil aprender os conceitos físicos colocando a mão na massa do que decorando. Acabamos com a distância entre o quadro negro e realidade”, conclui o professor do Colégio Poliedro.

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Categorias:Educação, Educação, Notícias

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