Pesquisadores avaliam impactos de agrotóxicos sobre abelhas

Documentos produzidos pautarão os pedidos de registro e reavaliação de defensivos agrícolas daqui pra frente

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Apis Melifera na flor de morango. Foto: Cristiano Menezes

A docente Roberta Cornélio Ferreira Nocelli, do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME), do Campus Araras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é uma das integrantes do Grupo Técnico de Trabalho (GTT), junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que elaborou procedimentos de avaliação de risco de agrotóxicos para abelhas. Historicamente, apenas o índice de periculosidade era considerado, mas não havia efetivamente uma avaliação de risco. Foi a partir dessa necessidade que, em 2014, foi criado o grupo, com o objetivo de discutir o impacto dos agrotóxicos sobre a população de abelhas e a consequente diminuição desse importante agente polinizador.
O trabalho do grupo teve como um dos principais resultados a publicação da Instrução Normativa 2/2017 e do Manual de Avaliação de Risco Ambiental de Agrotóxicos para Abelhas, que foi lançado recentemente em Brasília. Esses dois documentos servirão como referência para os futuros pedidos de registro e reavaliação de agrotóxicos.
A Instrução Normativa (IN) traça as diretrizes gerais para o novo processo de avaliação de agrotóxicos, considerando o risco para abelhas, e o Manual traz os procedimentos detalhados de cada uma das exigências presentes na IN. No Manual está descrito, passo a passo, como a avaliação será feita, quais os testes necessários e qual a forma de cálculo dos diferentes índices de risco. Os documentos estão associados ao 15° Objetivo do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU): proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Além da IN e do Manual elaborados pelo Ibama, no fim de janeiro de 2017, o grupo elaborou também a nota técnica Avaliação de Risco de Agrotóxicos para Insetos Polinizadores e Lacunas de Conhecimento, que destaca os avanços ao conhecimento necessários para o aperfeiçoamento da avaliação de risco no Brasil. A nota técnica deve subsidiar novas chamadas de projetos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) nos próximos meses.
Para a professora Roberta Nocelli, que participa do GTT como especialista em ecotoxicologia de abelhas, os resultados obtidos pelo grupo colocam o Brasil em posição de destaque na área. “O Brasil é o primeiro país da América Latina a desenvolver um esquema de avaliação de risco de agrotóxicos para abelhas. Estamos no mesmo patamar de países desenvolvidos, como Estados Unidos, Canadá e União Europeia. A IN e o manual nortearão os novos pedidos de registro e os processos de reavaliação de agrotóxicos, garantindo uma maior segurança e um menor impacto às abelhas. Além de ser um verdadeiro marco na área ambiental, representa um resultado concreto na melhora das condições ambientais em relação aos polinizadores”, afirma Nocelli.
O grupo de trabalho foi formado também pelo professor Osmar Malaspina, do Centro de Estudo de Insetos Sociais (CEIS) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, por pesquisadores do próprio Ibama e representantes dos sindicatos das indústrias produtoras de agrotóxicos e da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), com a coordenação da bióloga Karina Cham, analista do Ibama. Os documentos elaborados estão disponíveis em www.ibama.gov.br.

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Categorias:Meio Ambiente, Notícias, Socioambiental

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