O contexto da sala de aula enquanto espaço de trocas formativas mediadas pelas novas ferramentas tecnológicas

novasferramentasO CONTEXTO DA SALA DE AULA ENQUANTO ESPAÇO DE TROCAS FORMATIVAS MEDIADAS PELAS NOVAS FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS

 

Valmir da Silva[1]

Prof Valmir da Silva.

Valmir da Silva é professor do Ensino Superior, formado em Pedagogia pela UFSM em 2008. Mestre em Educação pela UFSM em 2013.

Resumo: O trabalho de pesquisa tem como objetivo refletir sobre as possibilidades das Tecnologias da Informação e Comunicação contribuírem na formação do professor, assim como na prática pedagógica no espaço escolar. A metodologia utilizada é de cunho bibliográfico fundamentada em pesquisas de autores como: Barreto (2004), Falavígna (2009), Kenski (2010), Beloni (2009), Perrenoud (2000), Nóvoa (2007). Alcançamos com a pesquisa elementos importantes para o processo formativo docente e a prática pedagógica, visto que, ambientes mediados pelas TICs possibilitam uma nova interação na construção de conhecimentos e na prática pedagógica.

Palavras-chave: Formação docente. Educação Básica. TICs. Autonomia.

Abstract: The research work aims to reflect on the possibilities of Information and Communication Technologies to contribute to teacher training, as well as pedagogical practice in the school space. The methodology used is based on bibliographical data based on research by authors such as Barreto (2004), Falavígna (2009), Kenski (2010), Beloni (2009), Perrenoud (2000) and Nóvoa (2007). We have achieved with the research important elements for the teacher training process and the pedagogical practice, since environments mediated by the TICs allow a new interaction in the construction of knowledge and pedagogical practice.

Keywords: Teacher training. Basic education. ICTs. Autonomy.

INTRODUÇÃO

O trabalho investigativo se desenvolve a partir da questão em que a mediação das Tecnologias da Informação e Comunicação pode contribuir no processo formativo e na prática pedagógica docente. Tem como objetivo, refletir e compreender sobre as possibilidades das ferramentas tecnológicas potencializarem a qualidade da formação e a aprendizagem. Possibilitando, de forma gradativa, a qualidade da prática pedagógica no espaço escolar.

Compreendemos que as inovações tecnológicas, especialmente as Tecnologias da Informação e Comunicação, (TICs) fazem-se presentes no cotidiano da sociedade contemporânea. Inclusive no contexto das instituições formativas e educativas, evidenciando-se com elas, novas maneiras de se comunicar, trabalhar, formar profissionais e produzir conhecimentos, possibilitando com isso, transformações no campo social, político, econômico, cultural e educacional.

Acreditamos que as transformações no campo educacional estão atreladas a alguns fatores importantes: preparar o para melhor utilizar as ferramentas oferecidas pelas TICs na sua prática profissional; propiciar que o profissional da educação desenvolva capacidade crítico reflexiva sobre os impactos das TICs na rotina do seu trabalho; capacitar docentes para que possam oferecer melhores condições de formação para seus alunos.

 São questões que devem ser visualizadas como objetivos a serem alcançados gradativamente. Desafios que se colocam no centro dos debates e discussões, da mesma forma que, podem ser superados pelas constantes buscas do conhecimento, como evidenciam autores como Barreto (2004), ao lembrar que as TICs devem ser compreendidas enquanto fator de atravessamento na formação de professores; Falavígna (2009) analisa o uso de multimeios, Tecnologias da Informação e Comunicação no processo ensino aprendizagem; Kenski (2004) ao falar da transição social para uma nova postura no modo de fazer e trabalhar a educação a partir das TICs; Belloni (2009) aborda a temática mídia-educação da perspectiva de sua apropriação pelo público jovem, buscando entender como estes sujeitos se apropriam das técnicas de informação e comunicação no contexto escolar; da mesma forma, Nóvoa (2007) salienta o surgimento de um novo sujeito capaz de aprender através da interação tecnológica, nesse sentido, as instituições de ensino precisam se qualificar humanamente e tecnologicamente para atender esse novo sujeito.

A partir dessas evidencias é possível discutir, com mais perceptibilidade, os aspectos da formação docente frente aos novos paradigmas das tecnologias aplicadas a educação, assim como os aspectos didático-pedagógicos frente às necessidades educacionais da sociedade. Na perspectiva dos autores, aos poucos, estás práticas estão sendo incorporadas pelas instituições formativas e educativas, à medida que se desenvolvam projetos, estudos, investigações e novos conhecimentos sobre as contribuições das TICs aos processos de ensinar e aprender. Tais possibilidades se concretizam a partir das novas relações estabelecidas com o conhecimento utilizando-se de instrumentos de mediação e interação nos espaços virtuais, configurando-se como possibilidades de práticas inovadoras, comprovando que o uso das tecnologias como ferramentas na educação traz mudanças significativas no processo da aprendizagem.

A metodologia utilizada para dar conta da questão de pesquisa e dos objetivos foi a bibliográfica. Nesse sentido, foi feito um levantamento dos principais autores com publicações na área das tecnologias da Informação e Comunicação. Por meio de fichamento, cada autor contribuiu teoricamente no processo de investigação e análises.

Formação docente mediada pelas TICs: Educação a Distância enquanto referência.

No Brasil, o acesso ao conhecimento e aos níveis mais elevados de educação é garantido a partir da Constituição Federal que assim determina no seu art. 208: Inciso V. É dever do Estado garantir a educação “mediante a garantia de acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um” (BRASIL, 1988). O dispositivo legal dá garantia para desenvolver uma sociedade soberana, justa e democrática, sendo a educação o fator preponderante.

A mediação das TICs na formação e na prática pedagógica tiveram maior visibilidade com as novas políticas públicas frente a demanda docente para atender o Ensino Básico. As políticas públicas de governo implantaram o Plano de Desenvolvimento da Educação PDE com o objetivo de oferecer, por meio da Universidade Aberta do Brasil UAB, cursos de formação inicial e continuado para docentes da Educação Básica.  A partir dessas medidas a UAB constitui-se em um Programa do Ministério da Educação atuando assim, na organização de parcerias para oferecer cursos de graduação e pós-graduação a distância (BRASIL, 2007).

O Plano de Desenvolvimento da Educação é uma política pública que estabelece o diálogo entre professores da Educação Superior e Educação Básica, tendo como resultado a produção de conhecimento e mudanças qualitativas na prática escolar pública. Um dos principais pontos na Educação Básica refere-se a formação de professores. O plano prevê avanços na carreira e na formação, demonstrando preocupação com a capacitação permanente dos professores e com o aprendizado do sujeito (BRASIL, 2007). Com isso, o campo educacional no Brasil passou a lidar com os novos desafios referente a mediação das TICs na prática formativa e educativa.

Tais iniciativas públicas possibilitaram a expansão emergente do Ensino Superior nas diversas regiões do Brasil. Através do Decreto nº. 5.622/05 que regulamenta o art. 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional no 9.394, caracterizando a educação a distância como modalidade de ensino. Este propósito ampliou a mediação didático-pedagógico nos processos de ensino e aprendizagem intercedidas pelas Tecnologias de Informação e Comunicação. Estudantes e professores desenvolvem processos de formação e aprendizado em lugares e tempos diferentes (BRASIL, 2005).

Nesse novo paradigma educacional, pode-se aferir que é grande a probabilidade do professor formado numa cultura tecnológica, ampliar as possibilidades metodológicas de sua prática em sala de aula a partir do uso das novas ferramentas disponíveis nos espaços virtuais.

Haddad (2006) quando se refere, em discurso a essas novas estratégias para a educação, que as políticas públicas vem estabelecendo medidas para universalização do acesso ao ensino superior. Nesse particular, a modalidade/EaD pode ter impactos quantitativos no acesso ao ensino público de formação inicial e continuada. Segundo ele.

[…] construído em estreita colaboração entre as três esferas de governo, as instituições de Educação Superior e a sociedade civil, [e que] será um divisor de águas no tocante à solução definitiva do problema da carência de professores na Educação Básica, bem como da democratização do acesso dos jovens à Educação Superior pública, gratuita e de qualidade.  (HADDAD, 2006, p. 11).

Esse comprometimento entre as esferas governamentais se deve as novas demandas sociais conduzidas pelas mudanças econômicas e tecnológicas dos últimos tempos. Elas estabelecem que a sociedade acompanhe um novo ritmo, o ritmo do progresso humano e econômico. Com isso, é salutar para o sistema que as instituições educativas se adéquem as novas necessidades e realidades socioculturais, da mesma forma que, o docente se envolva e se desafie com as novas ferramentas tecnológicas enquanto mediadoras da construção do conhecimento.

Essas transformações, por sua vez, imprimem mudanças efetivas nos sistemas educativos. O papel da educação na sociedade atual está ligado à possibilidade de responder, com alguma rapidez, à incorporação de meios tecnológicos e de uma flexibilidade maior às estruturações curriculares e metodologias tendo como possibilidades, o aproveitamento das tecnologias à educação. Na chamada sociedade da informação e comunicação, ou do saber, em que cada vez mais a formação docente se faz necessária, levando em consideração as tendências da mediação das tecnologias aplicadas à educação. Belloni (2009).

Do livro e do quadro de giz à sala de aula informatizada e online a escola vem dando saltos qualitativos, sofrendo transformações que levam de roldão um professor mais ou menos perplexo, que se sente muitas vezes despreparado e inseguro frente ao enorme desafio que representa a incorporação das TICs no cotidiano escolar. Talvez sejamos ainda os mesmos educadores, mas certamente nossos alunos já não são mais os mesmos […]. Abre-se um novo e vasto campo de pesquisa, que diz respeito aos “novos modos de aprendizagem mediatizada”. Este Novo campo, necessariamente interdisciplinar, tem que considerar os dois principais componentes dessa nova pedagogia: a utilização cada vez maior das tecnologias de produção, estocagem de transmissão de informação, por um lado, e, por outro, o redimensionamento do papel do professor. Papel este que ao que tudo indica, tende a ser cada vez mais mediatizado. (BELLONI, 2009, p. 27, 29).

A isso, é coerente dizer que, nem só os professores, como também os alunos, estão experimentando uma nova metodologia de aprendizagem e de transformação, desencadeadas pelos novos paradigmas tecnológicos no campo educacional. Essas transformações são alicerçadas pela interatividade, seja presencial e ou virtual.

O compromisso da instituição acadêmica e escolar no processo de formação e construção do conhecimento

As iniciativas que marcam as mudanças políticas, curriculares e metodológicas no campo educacional, podem ser caracterizadas como caminho para um tempo de transformações. Compreender esse processo é apreender os novos paradigmas sociais da contemporaneidade, eles determinam e delineiam o papel das tecnologias na mediação com a educação. É na complexidade destas inter-relações entre sujeito, conhecimento e tecnologias que se reconhece no esforço do homem em reconhecer e alcançar sua condição de sujeito aprendente, participativo e autônomo.

Dentro dessa perspectiva Falavígna (2009) analisa a forma que a instituição escolar, na sua postura curricular e pessoal, assume as tecnologias (multimídia) no contexto escolar. A partir de seus estudos a autora afirma que os recursos tecnológicos melhoram o ensino e a aprendizagem dos alunos, são instrumentos didático-pedagógicos muito eficazes, são fundamentais para uma formação atual adequada. Os recursos tecnológicos melhoram o interesse e a motivação dos alunos, a imagem pública da escola e o rendimento acadêmico dos discentes. No entanto, é necessário maior investimento na capacitação docente, com mudanças a partir dos cursos de formação inicial, reformulando currículos e de políticas mais favoráveis e comprometidas com a educação. Falavígna (2009).

Acredita-se que a tecnologia de multimídia, numa dimensão de inovação, favorece a aprendizagem, desenvolvendo uma experiência inovadora e favorável ao sucesso, na medida em que utiliza vivencia multissensorial, associando texto, som, fotos, imagem estática e em movimento (interdisciplinaridade mecânica), estimulando simultaneamente diferentes canais perceptivos do educando, possibilitando a articulação entre conteúdos curriculares de diferentes áreas do conhecimento e, desse, com o cotidiano. (FALAVÍGNA, 2009, p. 42).

Nessa perspectiva, a autora considera a criatividade, a diversidade e a integração como fatores relevantes para o processo de inovação.  Uma vez que a aproximação dos membros no entorno escolar, se dá pelas suas características peculiares. Nesse processo significativo para o estabelecimento de projetos curriculares na instituição de ensino, numa dimensão inovadora, deve-se considerar certa coerência em adaptar os projetos às reais necessidades da instituição escolar frente às novas mudanças sociais.

Da mesma forma, Kenski (2010) reforça a compreensão de que estamos vivendo um momento de plena transição social, mudança que se caracteriza por uma nova postura na forma de pensar e de fazer educação.  Tal paradigma projeta um novo conceito operacional e metodológico no ambiente educacional. Isso implica assumir uma nova postura crítica e reflexiva diante das ferramentas tecnológicas de comunicação, adaptando-as de maneira coerente aos conteúdos pedagógicos.

As novas tecnologias de comunicação estão cada vez mais presentes na vida cotidiana. Sem sentir, adaptamos nossa maneira de agir, de pensar, de nos comunicar, pela integração desses novos meios aos nossos comportamentos. As alterações produzidas pelas intermediações tecnológicas são muitas: do telefone ao fax; do celular ao e-mail; da televisão a cabo a internet, vivemos um outro estilo de vida – e nem sempre nos damos conta disso. Em educação, as tecnologias eletrônicas de comunicação funcionam como importantes auxiliares. […] As tecnologias digitais de comunicação e de informação, sobretudo o computador e o acesso à internet, começam a participar das atividades de ensino realizadas nas escolas brasileiras de todos os níveis. Em algumas elas vem pela conscientização da importância educativa que esse novo meio possibilita. Em outras, são adaptadas pela pressão externa da sociedade, dos pais e a comunidade. Na maioria das instituições, no entanto, elas são impostas, como estratégia comercial e política sem a adequada reestruturação administrativa, sem reflexão e sem a devida preparação do quadro de profissionais que ali atuam (KENSKI, 2010, p. 69, 70).

A formação profissional nessa perspectiva aponta outras dinâmicas do processo de se ter e fazer educação. Ela oportuniza que os sujeitos desenvolvam um trabalho cooperativo, interativo e dinâmico. Para isso, a necessidade das instituições formativas e educativas assumirem uma postura responsável na reorganização de seus currículos e na capacitação profissional a fim de lidar com essa nova realidade tecnológica.

Barreto (2004) apresenta uma discussão importante sobre isso, indicando o atravessamento do uso das TICs nos processos de formação dos professores. Uma perspectiva de mediação mais intensa das TICs pelas escolas no processo de formação e aprendizagem. Para isso, carece de significação quando se trata de sua apropriação em sentido cultural pedagógico amplo (BARRETO, 2004).

 Para Barreto, a prática pedagógica mediada pelas TICs é uma das possibilidade na base curricular da formação inicial como meio de interação e produção de conhecimentos. Uma prática que possivelmente acompanharia as novas mudanças de comportamento de crianças, adolescentes, jovens e adultos frente às novas demandas culturais da sociedade. Estabelecendo uma nova relação com as Tecnologias da Informação e Comunicação no seu processo de desenvolvimento cognitivo, afetivo e humano. Da mesma forma, Plou (2007) diz que:

As TICs e a internet podem ser utilizadas para preservar a diversidade e proporcionar uma plataforma na qual possa ser escutada uma multidão de vozes, garantindo o pluralismo de ideias e opiniões, o compartilhamento e o intercâmbio culturais (PLOU, 2007, p.13).

Acreditamos que refletir sobre as novas possibilidades do uso das tecnologias na educação, enquanto ferramenta na busca de novos processos pedagógicos pode revigorar o lugar social do professor e sua capacidade em lidar com situações inesperadas do cotidiano acadêmico e escolar. Mas, é importante frisar que nenhuma reforma educacional ou projeto inovador tem valor se as novas ferramentas forem visualizadas apenas como meio para facilitar a prática do professor. Dar sentido e significado pedagógico aos conteúdos e as práticas pedagógicas é um compromisso muito sério frente à realidade tecnológica já presente em contextos acadêmicos e escolares. Nóvoa (2007) fala:

No seu livro “A Galáxia Internet”, Manuel Castells explica que as novas tecnologias obrigam a repensar grandes partes do que foi a educação durante a era industrial. E acrescenta que, antes de pensarmos as mudanças tecnológicas na reestruturação das escolas ou mesmo na formação de professores, deveríamos compreender a necessidade de uma nova pedagogia baseada na interatividade, na personalização e no desenvolvimento da capacidade autônoma para aprender e para pensar. Esta nova pedagogia põe em questão convicções fortemente arraigadas na cultura docente, explicando, por exemplo, que nem sempre se aprende do mais simples para o complexo ou do mais concreto para o mais abstrato. Em educação, as tecnologias devem inserir-se nesta busca de novos processos pedagógicos que reforcem o papel do professor e sua capacidade para responder às situações imprevisíveis do dia-a-dia escolar (NÓVOA, 2007, p. 30).

Um novo sujeito emerge desse contexto de mudança cultural e tecnológica. Um sujeito mais autônomo capaz de aprender a partir da interatividade, do compartilhamento, da criatividade, da invenção de novos processos pedagógicos, capaz de novas apropriações e produção de conhecimentos. As instituições de ensino: superior e escolar podem se adaptar a este novo ritmo, caso contrário é possível que venham a comprometer a permanência do sujeito nesses contextos educacionais.

Assim, buscar informações que possam apontar caminhos frente às demandas que o contemporâneo impõe, passa não ser mais uma opção, e sim uma necessidade. Essas questões aqui levantadas podem se apresentar como palco de investigação, caracterizando-se também como espaço de problematização das diferentes intervenções neste paradigma educacional. Introduzir as novas tecnologias na formação ou formar para as tecnologias demanda, não só uma reestruturação na organização do sistema educativo, como também uma ressignificação na prática pedagógica e na visão de mundo pelo professore e pelo especialista educacional, como afirma Perrenoud (2000).

Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento, o senso crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e análise de textos e de imagens, a representação de redes, de procedimentos e de estratégias de comunicação (PERRENOUD, 2000, p. 128).

Esta correlação estratégia entre educação e tecnologia cria uma conexão em que os dois polos têm a ganhar fortalecendo-se mutuamente. Por um lado, os meios de comunicação permitem dinamizar, facilitar e sustentar uma aprendizagem. E pelo outro, o sujeito tem a possibilidade de interagir, desafiar, desenvolver, repensar e recriar as potencialidades dos meios de comunicação no processo de formação e construção de conhecimentos.

 

Nessa perspectiva de interação, o sujeito não fica e não se sente isolado no processo de construção do conhecimento, por permanecer interligado numa espécie de teia de cooperação, motivada por articulações estruturais da instituição de ensino, sejam elas, curriculares; metodológicas; tecnológicas. A partir dessas perspectivas são repensadas o desenvolvimento de novos projetos que resultem em transformações significativas, principalmente sobre as decorrências da inserção e mediação das tecnologias no campo educacional. Tais perspectivas estão sendo integradas as necessidades e interesses da sociedade, em um contexto histórico de desenvolvimento e progresso social, cultural, político e econômico.

A integração das TICs no processo de formação inicial e continuada do professor é responsabilidade dos cursos, seja na modalidade presencial ou a distância. Compromisso social que possibilitará ao professor, o desenvolvimento de uma prática consciente e coerente com as necessidades da comunidade em que trabalha. Oportunizando com isso, melhores condições de aprendizado aos seus alunos.

A valorização da mediação tecnológica na relação docente e discente no processo de aprendizagem traz à cena outros conceitos: interação e interatividade aparecem como complementares ao ensinar/aprender. Junto a isso, tem-se um fluxo constante de produção de conhecimentos, podendo transcender os muros das instituições de ensino.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As reflexões a respeito do devir da formação de professores em ambientes mediados pelas Tecnologias da Informação e Comunicação podem possibilitar uma nova interação da prática pedagógica docente, principalmente, enquanto ferramentas tecnológicas aplicadas no processo de ensino e aprendizado do aluno. Nesse momento de busca por alternativas e possibilidades as TICs podem fazer a diferença, uma vez que determinam novos modos de relação com o saber, com o trabalho, com o social e o cotidiano do sujeito na busca da sua autonomia e autoestima.

Nesse sentido, os caminhos e descaminhos dos processos que marcam a política educacional e suas estratégias públicas para a educação no Brasil, podem garantir e possibilitar que as instituições de ensino desenvolvam projetos educacionais que deem conta das necessidades sociais.

Diante dos novos propósitos em construir conhecimentos utilizando-se das novas ferramentas tecnológicas no espaço virtual e presencial, algumas questões ainda são pertinentes: em que medida a mediação das Tecnologias da Informação e Comunicação poderão ser usadas e o quanto podem influenciar nos cursos de Licenciaturas? Será tais ferramentas a melhor forma para atender as necessidades educacionais de nossa sociedade hoje? É um modelo eficiente para garantir uma educação de qualidade? Que impactos sociais e econômicos a educação mediada pelas tecnologias irá causar nas próximas décadas? A sociedade está preparada, informada e incluída digitalmente para lidar com as novas Tecnologias da Informação e Comunicação?

Diante dessas questões, é coerente refletir constantemente, se as tecnologias podem garantir uma transformação qualitativa na instituição de ensino e na aprendizagem do aluno. Como acontece, com notável sucesso, em outras organizações da sociedade, as informações globais instantâneas, por exemplo. No contexto acadêmico e escolar não é coerente perceber as tecnologias como um pacote que traz consigo mudanças miraculosas na prática pedagógica do professor, e com isso, a solução dos problemas de ensino e aprendizagem das instituições educacionais. Pelo contrário, as instituições de ensino precisam incorporá-las em suas práticas de forma adequada e coerente, como meio e possibilidades de melhorar o desempenho profissional e a qualidade da educação.

Quando se reflete sobre a formação docente, atravessada ou mediada pelas TICs, é impossível desassociar esta reflexão do processo envolvendo as tecnologias na construção do conhecimento no contexto escolar. O fator determinante dessa reflexão é o fato do aluno estar familiarizado com o mundo das tecnologias interativas. É mais uma razão para que a academia e a escola tragam para o espaço da aprendizagem formal, recursos e estratégias tecnológicas de informação e comunicação, os quais crianças, jovens e adultos demonstrem afinidades e interesses. Nesse entendimento, os conteúdos passam a fazer mais sentido, justamente por serem compreendidos na prática cotidiana do sujeito.

Nesse sentido, a prática docente, quando coerente com a realidade social e cultural do ambiente em que trabalha, poderá contribuir com o desenvolvimento de ações transformadoras na vida do aluno e no meio social ao qual está envolvido. Dentro dessa perspectiva, a ação docente tende a aproximar e incorporar parte dos conteúdos pedagógicos às novas ferramentas tecnológicas nos espaços formativos e educativos das instituições acadêmicas e escolares.

REFERÊNCIAS

BARRETO, R.G. Tecnologia e educação: trabalho e formação docente.  Educação & Sociedade, Campinas, v. 25, n. 89, p. 1181- 1201, set./dez. 2004.

BELLONI, Maria Luiza. O que é mídia-educação? 3ª Ed. Campinas: Autores Associados, 2009.

BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas. Brasília, 2007.

BRASIL. Decreto Nº. 5.622/05 de 19 de dezembro de 2005. Dispõe sobre o reconhecimento da EaD como modalidade educacional, MEC, Brasília, 2005.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF, 1988.

FALAVÍGNA, Gladis. Inovações centradas na multimídia: repercussões Np processo ensino-aprendizagem. Porto Alegre: Edipuc, 2009.

HADDAD, F. Prefácio. In: SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA (Org.). Desafios da educação a distância na formação de professores. Brasília, DF: SEED, 2006.

KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. 9ª Ed. Campinas: Papirus, 2010.

NÓVOA, Antônio. Formação de Professores. Revista Aprendizagem. Ano 1 nº. 2, setembro/outubro. São Paulo: Melo, 2007.

PERRENOUD, P. 10 novas competências para ensinar. Convite à viagem. Porto Alegre: Artmed, 2000.

PLOU, Dafne. VIEIRA, Vera. Mulher e Tecnologias – a virtualidade como espaço transformador das relações de gênero. SP. Rede Mulher de Educação. 2007.

[1] Professor do Ensino Superior, formado em Pedagogia pela UFSM em 2008. Mestre em Educação pela UFSM em 2013.

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