Riscos e prevenções de acidentes com perfurantes entre trabalhadores na área da Saúde

 

 SAUDEKJ

RISCOS E PREVENÇÕES DE ACIDENTES COM PERFUROCORTANTES ENTRE TRABALHADORES NA ÁREA DE SAÚDE

 

Klaiton Aparecido Camargo 1*

Amarildo de Jesus Cardoso2*

Marcelo Henrique Pereira de Borba 3*

 

Resumo: Os riscos de acidentes com perfurocortantes entre trabalhadores na enfermagem é um problema na biossegurança existente na área da saúde. Este trabalho objetivou avaliar os riscos e prevenções de acidentes entre trabalhadores na área da saúde com foco na enfermagem. Tendo como metodologia a pesquisa bibliográfica, onde foi investigado o problema a partir do referencial teórico existente nas fontes de pesquisa. Constatou-se que a ocorrência de acidentes de trabalho com materiais perfurocortantes pode ser favorecida pela realização de um trabalho intenso, exercido de maneira rápida, em mais de um estabelecimento de saúde, como também pela desatenção e distração.

Palavras-chave: Perfurocortante. Educação em Saúde. Equipamentos de Proteção Individual e Prevenções.

Abstract: The risks of sharps injuries among nursing workers is an important problem in health biosafety. This study aimed to evaluate the risks and prevention of accidents among health workers with a focus on nursing. Based on a bibliographical research methodology, where the problem was investigated from the theoretical framework existing in the research sources. It was found that the occurrence of work-related accidents with sharps can be favored by the intense work done in a fast way in more than one health facility, as well as inattention and distraction.

Keywords: Sharpener. Health Education. Personal Protective Equipment and Preventions.

 

INTRODUÇÃO

Os riscos de acidentes com perfurocortantes entre trabalhadores na enfermagem é um importante problema na biossegurança existente na área da saúde. A saúde do trabalhador está inserida no âmbito da saúde pública e, através de métodos e procedimentos próprios, busca a preservação, e a proteção da saúde das populações de trabalhadores, implementando medidas de proteção.

A Norma Regulamentadora N° 32 (NR – 32) é uma implementação para medidas de segurança e saúde ocupacional, instituída pelo Ministério de Trabalho e Emprego (MTE) – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde – visando a adoção de medidas de segurança de saúde do trabalhador e os riscos aos quais estes profissionais estão expostos.

Todo trabalhador encontra-se susceptível a riscos no ambiente de trabalho, os quais podem interferir diretamente em sua condição de saúde. Considerando-se riscos de trabalho, toda e qualquer colisão repentina e involuntária entre o profissional e o objeto, causando danos corporais (lesões, morte) e/ou danos materiais.

Entre os trabalhadores da área de saúde, os riscos de acidentes de trabalho causados por materiais perfurocortantes são constantes devido à manipulação de agulhas, lâminas de bisturi, vidraria, entre outros que podem levar a uma contaminação de diversos microorganismos patógenos como: O vírus HBV (Vírus da Hepatite B), BCV (Vírus da Hepatite C) e HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) entre outros.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) mostra que os profissionais da área de saúde estão submetidos a um risco maior de três a seis vezes em adquirir hepatite B quando comparado com a população em geral, tendo como destaque os profissionais enfermeiros e os da limpeza.

Diversos autores mostram que há um número bastante significativo para os acidentes nos membros superiores, em especial nas mãos (dedos, palma, região interdigital) durante punções venosas ou outros procedimentos invasivos, envolvendo o manuseio de materiais perfurocortantes na enfermagem e acidentes na limpeza, transporte e armazenamento de materiais com os profissionais da limpeza.

As ações de biossegurança que devem ser utilizadas pelos profissionais de enfermagem são as normas de precaução básica, como a utilização de Equipamento de Proteção Individual (EPI), que objetiva reduzir a exposição do profissional aos agentes biológicos, além da recomendação na utilização e descarte de material perfurocortante.

O Ministério do Trabalho e Emprego define na Norma Regulamentadora – NR 6 que os EPI’s são todo dispositivo ou produto, de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos susceptíveis de ameaçar a segurança e a saúde do mesmo em seu ambiente de trabalho.

Os trabalhadores da saúde podem ser contaminados por objetos perfurocortantes, como a hepatite B (HBV), hepatite C (HCV) e a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (HIV). Para prevenir acidentes com perfurocortantes deve-se eliminar ou reduzir seu uso; ter controle do ambiente ou material e mudanças na prática de trabalho, utilizando de forma adequada os EPI’s.

Tendo a prevenção como foco principal desta pesquisa, espera-se que a mesma tenha uma repercussão já muito mencionada na área da enfermagem, que é o embate no uso das medidas de prevenção para desenvolver uma assistência de visão dupla, tendo como foco o bem-estar do paciente e a segurança garantida dos enfermeiros na adequação das práticas de prevenção.

TRABALHO, SAÚDE, DOENÇA E SEGURANÇA DOS TRABALHADORES

A relação entre as atividades de trabalho e o processo saúde, doença é um tema que desperta curiosidade. A saúde do trabalhador está inserida no âmbito da saúde pública e, através de métodos e procedimentos próprios, busca a preservação, a promoção e a proteção da saúde das populações trabalhadoras, criando medidas de alcance coletivo. Implica em ação multidisciplinar e interdisciplinar na qual se insere a enfermagem.

Nesse contexto, o presente capítulo trata da relação trabalho, saúde e doença dos trabalhadores, situando o surgimento das preocupações nessa área e a consequente atividade laboral e a saúde.

Contexto histórico dos estudos relacionados ao trabalho no mundo

O trabalho surge juntamente com o primeiro ser humano, mas as relações entre as atividades laborativas e a doença permaneceram praticamente ignoradas até 250 anos atrás. Desde a.C., a bibliografia refere a fatores nocivos no trabalho onde pode-se citar, por exemplo, a prática dos chineses na fundição do alumínio, a obra conhecida de Hipócrates “Ar, Água e Lugares” na qual discorre sobre o saturnismo, também Plinio – o velho (23 – d.C.) descreve o aspecto dos trabalhadores de minas de mercúrio e chumbo e aconselha o uso de máscaras (VIEIRA, 1995).

No século XVI, algumas observações esparsas surgiram evidenciando a possibilidade do trabalho estar relacionado ao adoecimento. Assim, em 1566, Georg Bauer, segundo Vieira (1995), publicava o livro “De Remetallica”, onde eram estudados os diversos problemas relacionados à extração de minerais argentíferos e auríferos, e à fundição de prata e de ouro. Esse autor discutiu em um capítulo específico dessa obra os acidentes do trabalho e as doenças mais comuns entre os mineiros, provocadas por poeiras mencionando a chamada “asma dos mineiros”, pela descrição dos sintomas e a rápida evolução da doença, sugere, à luz dos novos conhecimentos, casos de silicose.

Apesar de sua importância, estes trabalhos permaneceram praticamente ignorados por mais de um século. Em 1700 foi publicado, na Itália, um livro que iria ter notável repercussão em todo o mundo: De Morbis Artificum Diatraba, do médico Bernardini Ramazzini que, por este motivo foi justamente cognominado o “pai da medicina no trabalho”. Nesse tratado o autor descreve uma série de doenças relacionadas a cerca de 50 profissões diversas.

Entre 1760 e 1830, ocorre na Inglaterra, um movimento que marca profundamente a história da humanidade, trata-se da revolução industrial, marco inicial da moderna industrialização, que teve a sua origem com o aparecimento da primeira máquina de fiar.

Em 1831-1832, na Inglaterra, foi criada uma Comissão de Inquérito para avaliar as condições de trabalho nas fábricas. Em 1833, foi elaborada uma lei que regulava as jornadas de trabalho, que eram em torno de 16 horas por dia. A partir de então, as condições nas fábricas começaram a melhorar, embora com muitas dificuldades por partes das empresas.

As duas últimas guerras mundiais deram um grande impulso, no que diz respeito ao cuidado com a saúde do trabalhador, que passou a ser um fator de grande importância para a economia nacional. As fábricas tinham que manter o ritmo da época e era vital que o trabalhador fosse mantido em bom estado de saúde.

Contexto histórico dos estudos relacionados ao trabalho no Brasil

No Brasil, segundo Andrade (1994), somente a década de 1940 é que os problemas causados pelo trabalho começaram a ser estudados. É dessa época que data a fundação da Associação de Prevenção de Acidentes do Trabalho.

É em 1943, que a Consolidação das Leis dos Trabalhos (CLT) entra em vigor, constituindo um marco importante no campo da proteção legal aos trabalhadores. É também nesse período (1943), que surge a Organização Mundial de proteção à saúde.

Na década de 50 iniciaram-se as contribuições aos instintos de aposentadoria e pensões, são estabelecidos limites mínimos e máximos e os benefícios da aposentadoria são entendidos a todos os segurados.

Na década de 60 é criado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviços – FGTS. Os institutos são unificados, surgindo o Instituto Nacional de Previdência Social – INPS, hoje o Instituto Nacional de Seguro Social – INSS e o acidente de trabalho são assegurados. Também nesse campo institucional surgem entidades como a Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho, a Funda centro, assim como em São Paulo, surge a Associação Nacional de Medicina do Trabalho.

Na década de 70, mais precisamente em 1972, pelas Portarias 3236 e 3237 do Ministério do Trabalho, tornou-se obrigatório nas empresas com mais de 100 empregados, centralizados ou não num mesmo local, a existência de um Serviço de Saúde Ocupacional, compostos pelos seguintes profissionais: médico do trabalho, engenheiro de segurança, técnico em segurança e auxiliar de enfermagem do trabalho.

A Portaria 3.442 de 1974 do Ministério do Trabalho estabelece a criação de cursos de especialização na área de enfermagem do trabalho, embora não exista legislação adequada que inclua o enfermeiro na equipe de saúde do trabalho.

A Portaria 3.214 de 08 de junho de 1978 do Ministério do Trabalho estabelece 28 Normas Regulamentadoras – NRs que orientam, até hoje, as obrigações das empresas em relação ao trabalho. Periodicamente, conforme necessidades, as NRs são modificadas, e quando isto ocorre, são regulamentadas através de uma nova Portaria do Ministério.

Ficou estabelecido a partir da Portaria 34 de 11 de dezembro de 1987, que em todo território nacional as empresas públicas ou privadas e órgãos da administração direta ou indireta, com empregados regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT, devem obrigatoriamente ter Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT, obedecendo à graduação de risco da atividade desenvolvida e o quantitativo de pessoal do estabelecimento, conforme NR4.

Somente na década de 80 com a fiscalização e as multas é que as empresas em âmbito nacional começaram a preocupar-se em atender a legislação. A realidade mostra que existe, ainda hoje, empresas que contratam técnicos somente para cumprir a lei, dificultando o acesso à informações do tipo: fatores nocivos, as matérias-primas envolvidas na produção, entre outras.

Muitas vezes o empregado está distante dos problemas que afetam aos empregados, como profissionalização deficiente, alimentação, habitação, ausência de escola para os filhos, falta de humanização nas empresas.

No campo da reabilitação profissional a situação é por vezes crítica. Existem muitas empresas que demitem os empregados ao invés de reabilitá-los e os serviços de saúde nem sempre se ocupam dos aspectos laboratoriais desenvolvendo dentro das empresas o mesmo modelo clínico-assistencial do restante do sistema de saúde.

Relação entre trabalho-saúde-doença

Conforme Nardi (1995) cabe salientar que existe um movimento mundial de modificação na legislação de saúde e segurança no trabalho. Essa modificação encontra respaldo nas políticas da Organização Internacional do Trabalho – OIT e da Organização Mundial de Saúde – OMS. Verifica-se que na Espanha, Itália, França e mesmo nas OMS e OIT existe outra nomenclatura, onde os serviços, antes denominados de Higiene, Segurança e Medicina Ocupacional, Industrial ou do Trabalho, passam a ser chamados de Serviços de Saúde do Trabalhador ou de Saúde do Trabalho. Essa modificação é reflexa de uma maior participação dos trabalhadores e de mudanças de enfoques, deixando de centrar as atenções nos riscos do ambiente de trabalho para centrar as atenções na saúde do trabalhador, dentro de um conceito mais amplo e participativo.

A saúde do trabalhador é um campo específico da área de Saúde Pública que procura atuar através de procedimentos próprios com a finalidade de promover e proteger a saúde de pessoas envolvidas no exercício do trabalho (PEREIRA JÚNIOR, 1994).

A saúde dos trabalhadores implica em uma atuação multidisciplinar e interdisciplinar em que a enfermagem está inserida onde vários profissionais especializados atuam na preservação e na promoção da saúde de uma população específica, através de medidas de alcance coletivo.

Conforme o autor Pereira Júnior (1994), esta atuação está na interface de três aspectos básicos que envolvem “o legal”, as leis que disciplinam o cumprimento das normas de segurança e saúde no trabalho; “o educacional”, que envolve o preparo e instrução dos trabalhadores para o controle dos fatores nocivos e prevenção dos agravos; é “o técnico” que abrange a aplicação de conhecimentos de engenharia e do comportamento humano para a obtenção de condições favoráveis à segurança e saúde dos trabalhadores.

Nessa linha de pensamento, baseado em Picaluga (1983), pode-se dizer que o processo saúde-adoecimento do trabalhador resulta da complexa e dinâmica interação das condições gerais de vida, das relações de trabalho, do processo de trabalho e do controle que os próprios trabalhadores colocam em ação para interferirem nas suas próprias condições de vida e trabalho.

Fatores nocivos à saúde no ambiente hospitalar

As evoluções, pelas quais tem passado o ramo da saúde, notadamente o hospitalar, os procedimentos da ação de cuidar e as várias qualificações profissionais, suscitam novas pesquisas sobre os efeitos de horários de trabalho, turnos, cargas físicas, mentais e psíquicas suportadas pelas trabalhadoras hospitalares e, em especial, da enfermagem.

Esses postos de trabalho historicamente vinculados ao “devotamento” e à “abnegação” femininos cultivados pelas comunidades religiosas mascararam sua penosidade. Autoras como Cristofarari et al (1988), ressaltam que em decorrência das características citadas acima, os estudos ergonômicos no ramo datam de tempos recentes, os anos 70.

No ambiente hospitalar, as enfermidades causadas por agentes biológicos são prevalentes, seguidas pelas provenientes de causas ergonômicas que atingem mais comumente trabalhadoras (ES) ligadas diretamente ao paciente como auxiliares, técnicos e enfermeiras (os).

Em ambiente hospitalar sempre há risco biológico, infecciosos e parasitários, mas os acidentes e contaminações podem ser evitados desde que sejam seguidas as normas de precaução e de isolamento. Deve-se enfatizar o cuidado especial que deve ser dado ao lixo perfuro cortante com o uso de coletores apropriados. Jamais devem ser recapadas agulhas, pois são causadoras de um grande número de acidentes (DALLY, 1995, p. 57).

O maior risco de adoecimento no trabalho hospitalar é os vírus da hepatite B e C. Com prevenção, todos os empregados, que estiveram expostos a sangue e secreções de paciente, devem fazer vacina contra hepatite B já existente no mercado. Inclusive os trabalhadores da limpeza que manipulam o lixo e os da manutenção por estarem em contato com esgotos. O vírus da AIDS e outros contaminantes provenientes da manipulação de sangue e hemoderivados não devem ser subestimados.

Os danos ao sistema músculo-esquelético decorrentes do manuseio de cargas pesadas (pacientes e materiais) são dignos de nota. Os recursos tecnológicos adequados para aliviar agressões que são utilizados em outros setores de atividade não são integrantes do processo e da organização do trabalho na saúde. Assim, manipular pacientes pesados (ação contínua em unidades de tratamento intensivo) gera um número elevado de incapacidades físicas, seguidamente negligenciadas no ramo.

Já os longos períodos em posturas penosas são resultante em parte inadequação do material que geralmente não correspondem às características antropométricas da população, tanto de quem cuida como de quem é cuidado. A organização do trabalho caracterizado por frequentes interrupções para a busca e procura de material ou de informações, ou pelas constantes intercorrências advindas da natureza do atendimento, dificultam às trabalhadoras assumirem posturas menos cansativas.

A implementação frequente de novas tecnologias sem o devido treinamento ou mesmo inadaptadas ao físico do manipulador, bem como o funcionamento minucioso e exigente em qualificação, são condições geradoras de ansiedade e inadaptações.

O trabalho noturno, segundo Bulhões (1990), é alternado e os plantões são especificamente do trabalho na enfermagem. Jornadas que começam muito cedo ou que terminam muito tarde, interferindo no sono e dificultando a conciliação entre vida familiar e social são itens que a considerar. O trabalho em turnos rotativos é muito desgastante por alterar nosso ritmo circadiano e é agravado pelo tipo de serviço exercido pelo pessoal de enfermagem. As atividades de enfermagem por si só, exigem muita atenção, como por exemplo, o preparo de medicações, a observação dos pacientes em estado grave, entre outras. O atendimento noturno é mais penoso do que o executado durante o dia. O déficit de sono reduz a capacidade cognitiva, diminuindo a capacidade de execução de tarefas e expondo o trabalhador e o paciente a acidentes e falhas.

Semanas longas, seguidamente sem domingos, e feriados sacrificados são comuns. Em síntese, horários desencontrados e variáveis, horários além do limite normal, como por exemplo, o que acontece regularmente com as passagens de plantão, não consideradas parte da jornada e que ocupam de 15 a 30 minutos de cada equipe. Ainda outra situação episódica ou emergência típica do meio: subutilização das horas de almoço e lanche, aliado, na maior.

Para Pereira Júnior (1994), reforça que o meio hospitalar é caracterizado por um tipo de trabalho com forte carga emocional, onde vida e morte se misturam para compor um cenário desgastante e, não raro, frustrante. Os trabalhadores da saúde, e especialmente os de enfermagem, por estarem mais próximos, acabam sendo alvo de condutas de desespero de pacientes e familiares.

As trabalhadoras de enfermagem deparam-se, com frequência, com a falta de estímulo e reconhecimento de chefia e ressentem-se falta de participação nas tomadas de decisão. Isso tudo provoca um forte sentimento de desvalorização, leva-os desânimos, ao desinteresse, à fadiga e a uma relação desumanizada com o paciente.

Outro grave problema, enfrentado pelos profissionais de enfermagem em hospitais é o número de efetivos no atendimento aos pacientes. A redução do quadro de pessoal aumenta o nível de estresse dos trabalhadores, impossibilitada de prestarem um bom atendimento aos pacientes. A responsabilidade por cuidados integrais e a não observação de critérios para distribuição correta do número de funcionários conforme o tipo de necessidade do paciente aumenta a carga física, psíquica e emocional. Esse fato é agravado pela imposição de baixos salários que, consequentemente, levam o trabalhador à dupla ou tripla jornada de trabalho ou ao excesso de horas extras para complementar salário.

Temperatura elevadas ou muito baixas e riscos tóxicos decorre da falta ou inadequação de infraestrutura de suporte, como ar condicionado, vestuário adequado, entre outros. No hospital, não raro, usa-se vestuário que limita movimentos ou é inadequado à circulação exigida pelo trabalho. Ainda, respirar tóxicos, desinfetantes, anestésicos, entre outros, se soma à indefinição que, como para os fatores infecciosos e parasitários, não dispõe de clara associação e reconhecimento como dano associado com a atividade de trabalho.

Objetivamente, pode-se dizer que: varizes, problemas de coluna, lombalgias, paralisias e dificuldades em movimentar o corpo e extremidades, dores e deformidades, fadiga nervosa, estresse e ansiedade, bem como hepatite, infecção fúngicas e de vias aéreas são constantes na história clínica das trabalhadoras do cuidado de saúde no setor hospitalar.

Cabe ao serviço de saúde dos trabalhadores atenção especial aos profissionais que trabalham em hospitais e em especial nas áreas críticas. Devem manter controle rigoroso e atualizado das condições de saúde, restringir o trabalho noturno a trabalhadores epilético, depressivos, diabéticos, com problemas gastrintestinais, além de observar mudanças de comportamento, privilegiando a intervenção preventiva.

 CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE ACIDENTES COM PERFURO-CORTANTES

A NR – 32 no anexo III define que os materiais perfurocortantes são aqueles utilizados na assistência à saúde que tem ponta ou gume, ou que possam perfurar ou cortar.

Dentre os materiais perfurocortantes existem aqueles que apresentam um maior índice de acidente em profissionais de saúde. Os acidentes de trabalho são definidos, segundo o Ministério da Previdência Social, como acidentes que ocorrem pelo exercício do trabalho a serviço da empresa provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, a perda ou redução da capacidade para o trabalho, permanente ou temporária.

No Brasil, os estudos que enfocam a relação saúde-trabalho de enfermagem nas instituições hospitalares, começaram a ser realizados na década de 70 e foram incrementados a partir da década de 80. Estes estudos demonstram que a saúde do trabalhador de enfermagem é comprometida. Este comprometimento, em parte, pode ser detectado através da elevada incidência de acidentes de trabalho e doenças profissionais (SARQUES E FELLI, 2002 p. 224 apud SILVA 1996)

As pesquisas sobre os acidentes de trabalho tiveram essa repercussão principalmente devido à repercussão sobre a AIDS que se expandiu tornando-se uma pandemia, sendo os acidentes por perfurocortantes uma ameaça considerável para os trabalhadores de saúde.

Em análise a uma pesquisa realizada por Sarques e Felli (2002, p. 225) foi observado a ocorrência de acidentes e os fatores de riscos entre os profissionais de saúde, sendo encontrado nesse estudo dados que 41% dos acidentes estavam relacionados em específico com objetos perfurocortantes, tendo como sub-tópico um registro de 46,3%.

Numa outra pesquisa realizada por Abreu e Mauro (2000 apud Sarques e Felli, 2002) confirma a grande subnotificação destes trabalhadores e afirmam ter descoberto um percentual de 69% de acidentes na classe profissional da saúde em específico à enfermagem.

Os acidentes de trabalho com exposição ao material biológico envolvem sangue e outros fluídos orgânicos, ocorridos com os trabalhadores da área de saúde durante o desenvolvimento do seu trabalho, onde os mesmos estão expostos a materiais biológicos potencialmente contaminados.

Moreno (2011) complementa que em sua grande maioria os acidentes de trabalho com profissionais de saúde estão associados aos riscos com agentes biológicos, ficando esquecido o risco relacionado à exposição por agentes químicos que podem vir a desencadear desde um simples processo alérgico até o desenvolvimento de câncer, que na sua maioria podem associar-se com as complicações provenientes de acidentes com perfurocortantes.

Os ferimentos com agulhas e material perfurocortantes em geral são considerados extremamente perigosos por serem potencialmente capazes de transmitir doenças agudas, crônicas e até mesmo a morte de profissionais da área de saúde.

Segundo Souza (2012), os acidentes de trabalho no Brasil devem ser comunicados de imediato após o seu acontecimento, por meio da emissão da Comunicação de Acidentes de Trabalho (CAT), devendo ser encaminhada à Previdência Social, ao acidentado, ao sindicato da categoria apropriada, ao hospital, ao SUS e ao Ministério do Trabalho.

Os acidentes de trabalho podem estar relacionados a uma série de fatores predisponentes às suas particularidades e também às atividades realizadas na assistência ao ser humano. Dentre esses se sobressaem, os fatores biológicos, físicos, fisiológicos, químicos e psicossociais.

Sarques e Felli (2002) abordam os fatores físicos, químicos, mecânicos, biológicos, como cargas de trabalho, ou seja, o profissional ao modificar o objeto de trabalho, usando-se de elementos e instrumentos, em formas diferentes de organizações e divisões de trabalho, está mais exposto às cargas provenientes do trabalho.

Souza (2012) relata que programas com sucesso na prevenção de acidentes, estão associados aos seguintes eventos: a notificação abrangente de acidentes; acompanhamento detalhado dos eventos; definição da raiz do problema; capacitações no uso dos perfurocortantes; avaliação dos dispositivos de segurança bem como da efetividade do programa, são fundamentais para que ocorra uma redução de acidentes de trabalho.

Definições e tipos de perfurocortantes

Vários autores reforçam a ideia de que os perfurocortantes são entendidos por todo e qualquer material constituídos por agulhas, lâminas de bisturi, vidrarias e similares. A Resolução nº 5/93 do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente), complementa que os seguintes objetos: seringas, agulhas, escalpes, ampolas e vidros de um modo em geral ou, qualquer material pontiagudo ou que contenham fios e cortes capazes de causar perfurações ou cortes, são considerados materiais perfurocortantes.

França (2001) confirma que os perfurocortantes são objetos e instrumentos que possam furar ou cortar, como lâminas, bisturis, agulhas e ampolas de vidro, assim como foi citado anteriormente por outros autores. Nesse contexto, convém descrever sobre os tipos de perfurocortantes envolvidos nos acidentes de trabalhadores na área da saúde.

Prevenções de acidentes com perfurocortantes

As características de acidentes com perfurocortantes nos trabalhadores da saúde e as estratégias recomendadas para prevenção, foram primeiramente descritas na década de 80 e envolviam programas educacionais, evitando o recapeamento de agulhas e melhorias nos sistemas de descarte das mesmas, porém com sucesso limitado. Os resultados eram melhores quando a intervenção incluía ênfase na comunicação aos trabalhadores das situações de risco (FRANÇA, 2001).

Mais recentemente, os serviços de saúde adotaram a hierarquia de controles, para priorizar as intervenções de prevenção, que incluem, conforme Barbosa et al (2004, p. 93): “eliminar e reduzir o uso de perfurocortantes quando possível; isolar o perigo, através do controle do ambiente ou do material; mudanças na prática de trabalho e uso de EPIs.

No Brasil, a Portaria nº 939, de 18/11/2008, determina que os empregadores substituam os materiais perfurocortantes por outros com dispositivos de segurança num prazo máximo de 24 meses a partir de sua publicação.

Na medicina laboratorial, a redução do uso de agulhas é feita através da revisão de rotinas de coleta de amostras, eliminando punções desnecessárias, planejando e colhendo todos os exames de um paciente de uma única vez.

Para o controle do ambiente e do material, utiliza-se a engenharia, através de coletores de descartes e dispositivos de segurança, que isolam completamente os materiais perfurocortantes. Para isso, foram desenvolvidos vários tipos de dispositivos de segurança, com os seguintes critérios, segundo Nilton et al (2003, p. 32):

Ser parte integrante dos perfurocortantes, simples, de fácil operação, confiável, automático e custo-efetivo; Fornecer proteção que permita que as mãos permaneçam atrás do elemento de risco; Funcionar antes e depois da desmontagem e descarte; Minimizar o risco de infecção aos pacientes; Não criar problemas ao controle de infecções adicionais ou àqueles dos dispositivos convencionais; Produzir aumento mínimo no volume de resíduos.

Porém, para que ocorram reduções significativas de tais acidentes, além da implantação de dispositivos de segurança e mudanças no processo de trabalho, utilizam-se ações educativas, adequações nas relações entre trabalhador e paciente e a implantação de um programa de prevenção.

Segundo Marziale (2004), a temática sobre os acidentes com perfurocortantes em profissionais da área da saúde tem à atuação do enfermeiro do trabalho, quanto à promoção e fiscalização do uso de Equipamento de Proteção Individual e Equipamento de Proteção Coletiva, necessitando-se ao fato do um alto índice de casos com acidentes perfurocortantes nos profissionais na área da saúde. Nos dias atuais, os ferimentos por perfurocortantes que abordam os trabalhadores de enfermagem concebem um grave problema nas instituições de saúde, justamente pela importância com que se manifestam sobre a saúde desses trabalhadores.

Os acidentes de trabalho causados por material perfurocortantes entre trabalhadores de enfermagem são frequentes, devido ao número elevado de manipulação, especialmente de agulhas, lâminas e representam prejuízos aos trabalhadores e às instituições. Tais acidentes podem abonar riscos à saúde física e mental dos trabalhadores.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No desenvolver do presente estudo pode-se perceber de modo minucioso os acidentes com materiais perfurocortantes que ocorrem entre os trabalhadores de enfermagem. Através dos dados obtidos compreende-se que as lesões provocadas com materiais perfurocortantes que afetam os profissionais da saúde retrata sérios problemas.

A enfermagem é uma área composta por diversos profissionais que independente de suas funções está exposto a diversos riscos. Foram esclarecidos os tipos de materiais que são considerados como perfurocortantes, dentre eles estão as agulhas, lâminas de bisturi, ampolas de vidro e espátulas.

É comprovado que os acidentes com perfurocortantes são mais comuns na área da saúde quando os colaboradores executam suas atividades, sem falar do perigo biológico existente nesses acidentes. Nesse sentido por causa do crescente número de acidentes que vem ocorrendo no ambiente de trabalho, requer-se uma atenção diferenciada na área da saúde. Sabe-se que a prevenção desses acidentes necessita da colaboração dos trabalhadores que nos diversos casos podem ser evitados.

Diante da execução desta pesquisa constatou-se que as pessoas responsáveis por realizar serviços na área da saúde na maioria das vezes não têm consciência do risco que sofrem, por esta razão é indispensável palestra, treinamentos para capacitação, disponibilizar equipamentos de proteção individual (EPI’s) e principalmente a consciência dos mesmos na utilização desses equipamentos de forma correta para proteger contra os possíveis riscos de contaminação durante a realização de qualquer procedimento e assim garantir a segurança desses profissionais.

A prevenção de acidentes é um tema que necessita ser trabalhado constantemente para que possam ser implantadas medidas para diminuir esses acidentes, é fundamental organizar os materiais de forma adequada, deixar o coletor de resíduos próximo do local onde está sendo feito o procedimento, os perfurocortantes devem ser descartado da forma mais segura possível, afinal, a segurança do trabalhador pode ser alcançada a partir da cooperação de todas as partes envolvidas.

Esses materiais são considerados meios de transmissão de diversas, sendo as mesmas abordadas no decorrer da pesquisa, porém as mais especificadas foram as que podem ser adquiridas através do sangue, dentre elas a AIDS/SIDA – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, o vírus da hepatite B e C e o Vírus da Hepatite D que é considerado como oportunista precisando então da presenção do vírus da Hepatite B.

Diante da pesquisa e dos autores consultados o número exato de profissionais que adquiriram essas doenças por contaminação provenientes dos acidentes com perfurocortantes não foi encontrada em exato. Sendo especificado mais pelos autores a forma de prevenção e a adequação dos profissionais de saúde para a adaptação das normas de prevenção no cotidiano da execução de seus procedimentos.

Em virtude do que foi observado conclui-se o quanto é primordial praticar o uso da biossegurança no ambiente hospitalar e não hospitalar, sendo que os profissionais da saúde além de se relacionarem com um grande número de pessoas estão sujeitos a uma diversidade de risco com objetos que podem causar lesões corporais, além de estarem expostos à contaminação provenientes de acidentes com esses materiais.

 

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