Estudantes indígenas da UFSCar fazem intercâmbio acadêmico internacional

Projeto Estudos Indígenas proporciona qualificação profissional e produção de conhecimento de alto nível

 

Formação acadêmica internacional de estudantes indígenas e produção de conhecimento de alto nível unindo saberes tradicionais e científicos é o objetivo do projeto Estudos Indígenas, desenvolvido na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), com coordenação da professora Roseli Rodrigues de Mello, do Departamento de Teorias e Práticas Pedagógicas (DTPP), e parceria do Centro de Culturas Indígenas (CCI) da Universidade. A iniciativa que prevê intercâmbio estudantil e pesquisa internacional tem financiamento conjunto da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio do Programa de Desenvolvimento Acadêmico Abdias Nascimento.
No escopo do projeto Estudos Indígenas, a coordenadora conta que seis estudantes indígenas da UFSCar, dois a cada ano, passarão 12 meses em universidades no exterior, a Universidade de Córdoba, na Espanha, e a Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Atualmente, dois estudantes indígenas da UFSCar – Marcondy Maurício de Souza, do curso de Biotecnologia, e Ornaldo Baltazar Sena, do curso de Medicina – estão na Universidade de Córdoba, onde permanecerão até fevereiro de 2018. “Eles que, além de estudantes,  são líderes no CCI, estão cursando parte da graduação lá e, ao mesmo tempo, fomentando o debate sobre políticas públicas de ações afirmativas para minorias presentes na Espanha, com base na experiência de atuação no CCI da UFSCar. Também estamos fazendo levantamento da produção científica mundial sobre e com os povos indígenas”, conta Mello.
O estudante Marcondy, que em seu curso de Biotecnologia está estudando genética de plantas, na universidade espanhola pretende participar de laboratório de genética de frutas. Já Ornaldo, que desenvolveu trabalhos sobre a atenção materno-infantil, no curso de Medicina, em Córdoba, terá a oportunidade de conhecer o trabalho de transplante cardíaco, especialidade daquela universidade, e de atuar em ambulatório médico. “Eles estão se qualificando e, como líderes indígenas de diferentes comunidades, buscam integrar conhecimento científico com a experiência e o conhecimento milenar dos povos tradicionais. Todos ganham com isso, alunos, professores, universidades, a ciência e a sociedade”, defende a pesquisadora da UFSCar.
Marcondy está entusiasmado com a oportunidade que classifica como “ímpar”. “É um ‘mundo’ diferente, o que torna o desafio ainda mais enriquecedor. É uma cidade linda e receptiva, com uma imensa riqueza cultural. Quanto à universidade, é excelente, com professores bem preparados tanto para ministrar as aulas, quanto para supervisionar as práticas laboratoriais. Uma universidade muito estruturada e com um nível de conhecimento elevado”, descreve ele. O estudante espera contribuir com a produção de conhecimento que seja relevante para a UFSCar e para a Universidade de Córdoba, assim como para as comunidades indígenas e a sociedade em geral.
Já Ornaldo destaca a riqueza do intercâmbio de saberes. “Como alunos indígenas, trazemos conosco vivencias e experiências que não podem ser omitidas. Da mesma forma que aprendemos muito, temos também bagagens para compartilhar com o mundo. Intercambiar está agregando de forma muito positiva para nosso amadurecimento, porque estamos vivenciando um contexto muito diferente da nossa realidade”, afirma o estudante de Medicina.
Sobre os desafios da experiência de viver em um país diferente, eles garantem que estão sendo superados com dedicação. “Apesar das dificuldades, como estar em contato com uma língua distinta, fatores como a excelente recepção da Universidade de Córdoba e da própria população local, junto à nossa dedicação, têm nos ajudado a superar as barreiras”, garante Ornaldo.
Outros quatro estudantes farão a mobilidade acadêmica nos próximos anos. O programa também visa uma interlocução entre os docentes das universidades envolvidas. “A Universidade de Cornell, parceira neste projeto, é uma instituição que possui um centro indígena que é referência mundial. Eles não só contam com um programa que recebe estudantes indígenas, mas com um centro que oferece disciplinas formais em filosofia dos povos indígenas, nos cursos de graduação. E é isso que queremos trazer também para a UFSCar”, afirma Mello.
O projeto Estudos Indígenas da UFSCar tem a participação dos docentes Fernanda Callegari, do Departamento de Medicina (DMed); Anselmo João Calzolari Neto, coordenador do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas do Campus de Araras; Monica Filomena Caron, do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades (DGTH), do Campus de Sorocaba; Andrea Soares da Costa Fuentes, do Departamento de Genética e Evolução (DGE); Claudia Raimundo Reyes, do DTPP; Celso Conti, do Departamento de Educação (DEd); e Amadeu Logarezzi, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCAm).
O Edital Abdias Nascimento (Secadi/Capes) visa promover o intercâmbio internacional entre estudantes de graduação e pós-graduação autodeclarados pretos, pardos, indígenas e alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades. Foram aprovados em todo o Brasil 32 projetos. Na UFSCar, além dos Estudos Indígenas, foi também aprovado outro coordenado pela professora Tatiane Cosentino Rodrigues, do DTPP, voltado a estudantes autodeclarados pretos ou pardos.

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Categorias:Educação, Educação, Povos Indígenas

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