Pesquisas da UFSCar ganham premiação e menções honrosas no Prêmio Capes de Tese 2016

Valter Roberto Silvério, do Departamento de Sociologia (DS)

Valter Roberto Silvério, do Departamento de Sociologia (DS)

Foram reconhecidos estudos da Universidade nas áreas de Biotecnologia, Antropologia Social, Psicologia e Sociologia

Quatro pesquisas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tiveram reconhecimento acadêmico no Prêmio Capes de Tese 2016. O trabalho “Produção de Glicosil hidrolases por Trichoderma harzianum para o processo de sacarificação da biomassa vegetal”, da aluna Priscila da Silva Delabona e sob orientação dos docentes Cristiane Sanchez Farinas – dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia Química (PPGEQ) e Biotecnologia (PPGBiotec) da UFSCar – e José Geraldo da Cruz Pradella – também do PPGBiotec –, conquistou o Prêmio Capes de Tese.
Segundo os pesquisadores, o objetivo da tese foi desenvolver uma plataforma de produção enzimática “on-site” pelo fungo Trichoderma harzianum, recém-isolado da Floresta Amazônica, utilizando resíduos da cana-de-açúcar com foco no melhoramento dos processos fermentativos em biorreatores, bem como no uso de técnicas avançadas de biologia molecular para o desenvolvimento genético da linhagem. “Com isso, houve um trabalho em equipe feito entre a UFSCar e os centros de pesquisa nacionais da Embrapa Instrumentação e do Laboratório Nacional de Ciência e Biotecnologia do Bioetanol (CTBE), algo fundamental para que pudéssemos conquistar esse prêmio. Além disso, a colaboração com a Universidade de Viena, na Áustria, onde foi realizado o estágio sanduíche com apoio do Programa Ciência Sem Fronteiras, do CNPq, também foi fundamental para o desenvolvimento deste trabalho”, informa Priscila. Segundo os orientadores, a sinergia que a interdisciplinalidade proporciona – e que é uma característica do PPGBiotec – contribuiu fortemente para o resultado positivo deste trabalho. “Dele tivemos ainda uma patente e seis artigos científicos publicados em revista de alto impacto. Com isso, esperamos poder contribuir para gerar os avanços tecnológicos necessários para o aumento da eficiência do uso da biomassa vegetal como fonte de energia renovável”, afirmam.
Além disso, mais três trabalhos da Universidade receberam menções honrosas. Na área de Antropologia Social, foi premiado o estudo “Os pataxó em morros brutos e terras fanosas: descortinando o movimento das puxadas de rama”, de Fabiano José Alves de Souza, sob orientação do professor Felipe Ferreira Vander Velden, do Departamento de Ciências Sociais (DCSo). A tese trata dos índios pataxó que vivem no estado de Minas Gerais. “Os pataxó são originários do sul da Bahia, mas, desde que passaram a se deslocar para Minas Gerais, vêm fazendo deste estado seu território por meio de um processo constante de formação de novas aldeias que envolve uma delicada negociação com os habitantes humanos e não humanos dos lugares”, explica Felipe. Com esse fio condutor, a tese ilustra uma cosmologia vibrante, riquíssima, de um povo que, para muitos, nem mais índios são. “O grande diferencial do trabalho é tratar esta cosmologia com um profundo respeito, concedendo amplo espaço as suas sutilezas e detalhes, estranhando-a sempre que necessário, mas também buscando nela pontos de contato com a experiência dele mesmo. Os Pataxó, na tese, são um povo indígena mais vivo do que nunca, ao contrário do que querem muitos”, ressalta o docente.
Também recebeu a menção a tese “Capacitação de pais e professores para ações integradas de ensino, de leitura e escrita para aprendizes com autismo e deficiência intelectual”, na área de Psicologia e de autoria de Priscila Benitez Afonso, sob orientação da professora Camila Domeniconi, do Departamento de Psicologia (DPsi). “A pesquisa teve como premissa básica o questionamento sobre como programar intervenções que garantam a aprendizagem acadêmica de habilidades básicas de leitura e escrita para estudantes com deficiência intelectual (DI) e transtorno do espectro do autismo (TEA) a partir do envolvimento de três diferentes agentes educacionais: professor de sala de aula, professor de educação especial e pais”, conta Priscila. Foram, portanto, realizados três estudos que envolveram diversas etapas, como: problematização do ensino e da aprendizagem de leitura e escrita com estudantes com TEA e DI; reflexões sobre as condições necessárias para propor capacitações que envolvessem os três agentes citados; discussões sobre como programar e implementar uma intervenção para ser aplicada pelos pais, bem como pelos professores, de modo a compreender o papel desses agentes educacionais formais no ensino e aprendizagem dessas habilidades básicas. “Os três estudos mostram a efetividade de todas as intervenções planejadas, devidamente aplicadas e avaliadas para o ensino de leitura e escrita com esses estudantes”, ressalta a docente Camila.
Por fim, na área de Sociologia, ganhou menção honrosa a tese “Por que Fanon, por que agora?: Frantz Fanon e os fanonismos no Brasil”, defendida por Deivison Mendes Faustino sob orientação do professor Valter Roberto Silvério, do Departamento de Sociologia (DS). Segundo o docente, a tese discute os diferentes caminhos, usos e apropriações do pensamento de Frantz Fanon no Brasil a partir da década de 1950. “O estudo argumenta que o legado de Fanon será reivindicado de maneira diversa por vertentes teóricas distintas e, por vezes, conflitantes”, explica Valter. O docente afirma que o diferencial da tese é sua abrangência e a capacidade de síntese do autor em relação ao conjunto de perspectivas teóricas que se utilizam, contemporaneamente, da obra de Fanon. “Outro diferencial em relação ao Brasil era a ausência de trabalhos sistemáticos sobre a contribuição de Fanon para a teoria social contemporânea. Creio que o trabalho provocará mudanças necessárias e substantivas para a teoria social desenvolvida no Brasil no tema das relações raciais e da ausência de reconhecimento da contribuição social do negro na sociedade brasileira”, relata o professor.

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Reconhecimento
Para a aluna Priscila Delabona, a conquista do prêmio foi um grande reconhecimento. “Sabemos que desenvolver pesquisa no Brasil não é uma tarefa fácil, portanto a sensação é de dever cumprido, de uma etapa concluída com êxito. Sinto-me muito lisonjeada, pois esta premiação é o reconhecimento acadêmico máximo”, ressalta. Os orientadores concordam e acreditam que a aluna, com competência e profissionalismo, desenvolveu uma pesquisa de qualidade que teve seu mérito reconhecido.
Já a docente Camila e a estudante Priscila Afonso acreditam que a menção honrosa mostra o reconhecimento da importância do trabalho com os estudantes com deficiência intelectual e autismo matriculados na escola regular, assim como com a capacitação de pais e professores envolvidos nesse processo. “Acreditamos que este é um grande desafio para a educação brasileira e que a Psicologia pode contribuir na proposição de procedimentos que funcionem, trabalhando em parceria com pais e professores, visando a aquisição e a melhoria de repertórios importantes para a vida de um indivíduo. Seguimos em frente com muito ânimo para enfrentar os novos desafios que existem nessa área e o reconhecimento nos dá incentivo para acreditar que este é um caminho importante e possível de se percorrer”, reforçam.
A mesma satisfação por ter conquistado o prêmio é relatada pelo professor Valter e seu orientando, Deivison. “Como docente dedicado a um dos temas mais complexos e recorrentes da sociologia – as relações étnico-raciais –, meu sentimento é de extrema felicidade em ver reconhecido um trabalho exemplar de pesquisa, documental e teórica”, sintetiza Valter. O aluno Deivison completa: “um prêmio como este não confere reconhecimento apenas à pesquisa e ao seu pesquisador, mas também a todo o seu contexto de produção. Neste caso, destaco o ambiente favorável ao desenvolvimento do pensamento crítico, encontrado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS), o incentivo do corpo docente como um todo e, sobretudo, o apoio irrestrito oferecido pelo professor Valter, que não apenas sugeriu o tema da pesquisa, como também ofereceu dicas preciosas à realização do trabalho”.
O resultado com todos os vencedores do Prêmio Capes de Tese foi publicado no Diário Oficial da União no dia 10 de outubro e o evento de entrega dos prêmios acontece em Brasília, no dia 14 de dezembro de 2016, na sede da Capes, a partir das 18 horas. A edição 2016 do Prêmio Capes de Tese premia as melhores teses de doutorado defendidas em 2015 e artigos científicos derivados selecionados em cada uma das 48 áreas do conhecimento reconhecidas pela Capes nos cursos de pós-graduação adimplentes e reconhecidos no Sistema Nacional de Pós-Graduação. Mais informações podem ser encontradas no site da Capes, em http://www.capes.gov.br.

 

de: Coordenadoria de Comunicação Social – Universidade Federal de São Carlos

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Categorias:Educação

2 respostas

  1. Valter é sósia de astro de Hollywood. Quando é bem aplicada a verba CAPES, vem o resultado positivo e os benefícios aumentam. Parabéns.

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