Democratizar o acesso ao Esporte

14329986_661094030706138_4901095922454860932_n

 

#Erundina50éRAiZ e hoje falaremos sobre Esportes & Lazer:
As práticas esportivas e o sistema de produtos, serviços e relações de poder a elas vinculadas são reiteradas em espaços específicos de produção, ligadas a instituições públicas e privadas e espetacularizadas pela mediação dos veículos de comunicação.

Tais espaços de produção são também lugares de disciplinarização e modelação dos corpos, nos quais se inscrevem um conjunto de significados que revelam corporalidades instituídas que naturalizam desigualdades e reforçam relações de dominação social.

Nesse quadro, predomina no senso comum, em grande parte da mídia e na grande maioria das políticas públicas o reforço às práticas esportivas de alto rendimento, essencialmente concorrenciais e competitivas, e o seu mimetismo em atividades amadoras e/ou semiprofissionais, silenciando outras formas de expressões lúdicas e de corporalidades dissonantes e contestadoras de padrões sociais, comportamentais e estéticos dominantes.

Sem negligenciar a corporalidade atlética e o esporte de alto rendimento, que têm suas demandas legítimas, o desafio de um programa de governo popular e socialista é ultrapassar tais perspectivas e estabelecer o direito à cidade também através de outras práticas lúdicas e esportivas.

Assim, podemos reconhecer nas práticas esportivas a oportunidade de reverter a razão normativa que estabelece a inferiorização dos corpos das mulheres, que inibe a livre expressão da diversidade sexual, que reprime violentamente a presença das pessoas transgêneras e intersexuais e que reforça estigmas racistas, passando, assim, de uma definição restritiva do corpo legítimo à pluralidade do uso legítimo do corpo.

É também a oportunidade de superar a perspectiva do esporte como uma escola de coragem e virilidade, em busca da vitória e da competitividade a qualquer preço. É também a oportunidade de reconhecer práticas lúdicas e esportivas para além do calendário espetacular dos megaeventos esportivos.

Do mesmo modo, o apoio a práticas populares, colaborativas e lúdicas, bem como o diálogo e a vinculação de um programa de esportes aos movimentos sociais torna-se um imperativo para fomentar o exercício de uma cidadania crítica, transformadora e participativa que se diferencie dos modelos conservadores de gestão.

Democratizar de verdade o acesso ao esporte e às práticas corporais só é possível se considerarmos campos, ginásios e quadras como lugares de disputas ideológicas e estimularmos outros sujeitos a se apropriarem desses espaços públicos. Se recuperarmos a gestão pública eficiente desses equipamentos e garantirmos o seu uso efetivo pelos cidadãos paulistanos.

Mas, também, só é possível se levarmos em conta as dimensões sociais do corpo e das práticas esportivas. De modo que, garantir a sua democratização e universalização signifique reposicionar as políticas públicas no sentido da inclusão de setores populares preteridos, tanto socialmente quanto pela hegemonia dos corpos atléticos e pelos esportes de alto rendimento.

Assim, as práticas esportivas, de lazer e recreação readquirem o seu sentido de práticas sociais, transformadoras e questionadoras, ressaltando-se que se tratam de técnicas corporais lúdicas, portadoras de estruturas de reprodução de valores. Brincar na cidade, estendendo as práticas lúdicas a outros espaços, menos evidentes, é uma forma de ocupação pela ludicidade e constituição de uma cidade de pessoas.

Do corpo como território de interdições e tiranias, que imprime as costumeiras cicatrizes sociais, um programa de esportes deve contribuir para o desenvolvimento do corpo como território de liberdades e superações, que sejam signos do combate à dominação social.

Algumas Propostas:

• Pacaembu para as mulheres: constituição de um centro de treinamento e de organização de torneios e campeonatos de futebol de campo e futsal de mulheres no Pacaembu, acrescidos de palestras, debates e discussões visando o empoderamento das mulheres.
• Pacaembu palco da diversidade: organização de partidas e torneios de futebol e outras modalidades esportivas da diversidade e com equipes mistas como instrumento de combate ao machismo, ao sexismo e à homofobia, lesbofobia e transfobia.
• Recomposição, através de concursos públicos, do quadro técnico profissional da SEME, abandonado nos últimos anos.
• Ênfase na elaboração de políticas públicas para o desenvolvimento de esportes para as mulheres.
• Estímulo a práticas corporais e modalidades lúdicas populares não normatizadas pelos esportes de alto rendimento.
• Articulação das políticas públicas dos esportes com os movimentos sociais.
• Promoção de práticas corporais e torneios que reconheçam e ampliem os espaços de expressão da diversidade sexual e de gênero.
• Promoção de oficinas lúdicas itinerantes que incluam os equipamentos vinculados à administração direta da secretaria e os diversos parques do município, transformados assim em Parques Lúdicos.
• CDCs: Gestão direta, democratizar, capacitar os gestores e ampliar as práticas esportivas e lúdicas.
• Reestruturação e ampliação das modalidades esportivas do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa do Ibirapuera.
• Articulação das práticas esportivas à cultura, saúde, educação e meio ambiente: uma cidade lúdica.

#Erundina50 #ProgramaDeGovernoColaborativo
#Esportes #Educação #Diversidade #Cultura
#ExperiênciaParaTransformar
#SonhosPodemGovernar

A imagem pode conter: sapatos, texto e uma ou mais pessoas
Anúncios


Categorias:Cultura, Esportes

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: