A esquerda é sempre a outra

Pablo Picasso. La Suppliante. 1937. Oil on canvas. Gouache and China ink on wood. Musée Picasso, Paris, France.

Pablo Picasso. La Suppliante. 1937. Oil on canvas. Gouache and China ink on wood. Musée Picasso, Paris, France.

Por Gilberto da Silva

O sujeito nas redes sociais se coloca como crítico da Esquerda. Escreve laudas de protestos ao que passou, ilustra com exemplos o que quer criticar: inúmeros às vezes… Cadê a ética da esquerda? proliferando questões provocativas em suas postagens. A Esquerda é isso; a Esquerda é aquilo… Todos capitulados pelo capital e pela corrupção!!

Nas rodas de conversa, entre uma provocação e uma piadinha, sempre sai com um bem ensaiado: quando é que a esquerda vai mudar o seu discurso? Pergunta sempre acompanhada de um sorriso amarelo no rosto. Lista em suas retóricas uma série de erros: os anarquistas erraram, os stalinistas eram assassinos, os “trotiquistas” sonhadores, os petistas corruptos etc e tal, etc e tal.  Soma-se a ele inúmeros lambertismo, morenismo, lulismo, clericalismo, revisionismo, cubanismo, chavismo, ilusionismos…

Vai dai que você já deve estar associando o sujeito em questão como mais um “coxinha” amarelado pelo tempo; ou, na melhor das hipóteses, um belo seguidor de Mises. Ou um desses garotinhos que estão loucos para aparecer na foto oficial do Temer. Mas, muito pelo contrário, esse sujeito questionador se classifica de Esquerda. Mas a esquerda não o representa. Até aqui poderíamos achar que este é um belo exemplar da contribuição ao desenvolvimento das novas forças culturais e políticas  que estão florescendo por todo o universo.

Para ele a Esquerda é como uma rio onde ele fixa seus olhos nas águas correntes. É algo que passa, fugidia, intangível…  O Outro sempre é o culpado, aquele que errou e tem que pagar por todos os seus pecados. Como já cantarolou Caetano Veloso: “É que Narciso acha feio o que não é espelho/ E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho.”

Ah! Beleza!, ele também é de esquerda e critica a esquerda… Mas é dialético? É propositivo? Contribuí para a mudança de paradigmas? Sonhas o sonho de uma nova Utopia? Ou é mais um parasita social? O que ele faz para mudar “as condições objetivas da história”? Ele me pergunta: a esquerda ainda tem salvação? Eu respondo perguntando: você é de esquerda? Ele vaticinaretruca que sim. Eu lhe respondo: Você ainda acha necessária a defesa da Esquerda? Ele responde: não. Eu lhe digo: então morra! A Esquerda Morreu. Viva a Esquerda!

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Categorias:Crônicas

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