Projeto da UFSCar dissemina práticas da Agroecologia

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Realizado pelo Centro de Ciências da Natureza, curso acontece em três módulos, com aulas no Campus Lagoa do Sino

 

A Agroecologia vem ganhando cada vez mais espaço não só nas discussões acadêmicas como também na prática. Visando um modelo de desenvolvimento rural pautado na valorização dos conhecimentos de comunidades e agricultores tradicionais, na mão de obra familiar e na construção horizontal e participativa de conhecimentos, a Agroecologia busca promover práticas que, por meio de princípios socioculturais, econômicos e ecológicos, propõem alternativas ao modelo atualmente hegemônico de produção agropecuária, em relação ao qual suas principais críticas dizem respeito à concentração de terras, renda e destruição de recursos naturais. Desta forma, o projeto da Rede UFSCar Agroecológica da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tem como principal objetivo integrar as ações relacionadas à Agroecologia e agricultura familiar que vêm sendo desenvolvidas nos campi da Universidade. E, também, busca disseminar conceitos e práticas da Agroecologia aos agentes de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) que atuam com agricultores familiares de todo o Estado de São Paulo.
O curso “Formação de multiplicadores para a transição agroecológica” teve início em meados do ano passado, com a abertura de inscrições para o processo seletivo neste ano. Foram feitas 79 inscrições e selecionados 27 extensionistas rurais, que atuam em diversas regiões do Estado, mais especialmente no Sudoeste Paulista e Vale do Ribeira. Os materiais didáticos, hospedagem e alimentação dos participantes são custeados pelo projeto.
“O curso tem uma proposta pedagógica de 80 horas divididas em três módulos. São três encontros, nos quais os participantes ficam três ou quatro dias conosco, tendo aulas de manhã e à tarde e atividades durante a noite. Entre um módulo e outro, temos um intervalo de um mês para que os extensionistas possam refletir sobre suas práticas nas comunidades em que atuam. Espera-se que neste momento atuem pensando criticamente o conteúdo com o qual tiveram contato no curso. Chamamos este período de Tempo Comunidade, de acordo com a proposta da pedagogia da alternância. Depois, ao retornarem no próximo encontro, trocaremos as experiências vividas por cada um durante o mês que se passou”, explicou Ricardo Serra Borsatto, docente do Centro de Ciências da Natureza e coordenador do projeto “UFSCar Agroecológica: uma rede para construção e socialização do conhecimento agroecológico”, do qual o curso faz parte.
A capacitação dos agentes de ATER busca atender as atuais demandas destes profissionais que trabalham com agricultores familiares no Estado de São Paulo e, para tanto, toma por base os princípios da Agroecologia, que norteia a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. O curso foi organizado por meio de três eixos pedagógicos: “A questão agrária em São Paulo e no Brasil”, “Princípios e Fundamentos em Agroecologia” e “A prática extensionista: métodos, técnicas e ferramentas de trabalho”. “Esse curso visa trabalhar questões temáticas como produzir, como manusear o solo e quais os sistemas de produção. Também trabalhamos a questão de gênero, a mulher como protagonista do sistema de produção. E outra questão fundamental debatida no curso é a questão agrária, de acesso à terra e políticas públicas voltadas à agricultura familiar”, afirma Borsatto.
As aulas são, em parte, realizadas no Campus Lagoa do Sino da UFSCar, e a escolha do local não é ao acaso. Segundo o coordenador do projeto, o território que circunda o Campus Lagoa do Sino é historicamente esquecido pelas políticas públicas, por isso se faz tão relevante atuar nesse território. O primeiro módulo aconteceu entre os dias 28 e 30 de março e foram discutidos os temas: “O papel da ATER no desenvolvimento rural brasileiro”, “Políticas públicas e a Agricultura Familiar”, “As relações de gênero no meio rural” e “Sistemas Agroflorestais”. O segundo módulo acontecerá entre os dias 25 e 27 de abril, e o terceiro e último módulo de 30 de maio a 2 de junho. As disciplinas são ministradas por docentes dos quatro campi da UFSCar, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade de São Paulo (USP).
Marisa Rossi Monteiro foi uma das selecionadas para o curso. Ela é bióloga, atua na área ambiental, tanto referente à urbana quanto ao rural, e integra a organização social Projetos e Consultoria em Desenvolvimento Sustentável (Prodense). Para Marisa, “é fundamental multiplicar entre os agricultores familiares como desenvolver a Agroecologia, que busca aplicar os conhecimentos referentes à vegetação nativa nos diferentes biomas, associando-os com a agricultura familiar local, que já é bem desenvolvida, com o uso de práticas adequadas para o ambiente voltadas para culturas alimentares e produção”, opinou.
Para o coordenador do projeto, a Agroecologia é um sistema de produção independente e livre de agrotóxicos, mais interessante em diversos aspectos para a agricultura familiar. “Trata-se de um sistema que torna o agricultor familiar o protagonista do sistema de produção, ao contrário do que temos hoje”, explica.

Rede UFSCar Agroecológica
O curso “Formação de multiplicadores para a transição agroecológica” integra o projeto “UFSCar Agroecológica: uma rede para construção e socialização do conhecimento agroecológico”, financiado pelo edital n. 39/2014 do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
É objetivo do projeto implementar e fortalecer uma Rede Multicampi de Agroecologia na UFSCar, a ser denominado NEA-UFSCar Agroecológica, a qual caberá a função de articular as diferentes atividades de pesquisa, ensino e extensão que são realizadas por docentes, técnico-administrativos e estudantes da Instituição, bem como melhor integrar as relações entre a Universidade com as organizações de pesquisa, extensão rural e de agricultores que atuam no entorno dos quatro campi, consolidando assim um centro de referência para o desenvolvimento rural sustentável fundamentado nos princípios, conhecimentos e práticas da Agroecologia, cujas atividades estarão sendo disseminadas por todo o Estado de São Paulo. O projeto iniciou suas atividades em 2015 e tem previsão de término de dois anos.

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Categorias:Alimentação, alimentação, Economia Verde e Sustentabilidade, Meio Ambiente, Notícias

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