Depoimento de Lula à PF em 14/03

TERMO DE TRANSCRIÇÃO

Em 14 de março de 2016, procedo à transcrição das declarações colhidas ns autos nº 5006617-26.2016.404.7000, oitiva realizada em 04/03/2016, às 08:00 horas, no Aeroporto de Congonhas, São Paulo/SP.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 1

Delegado da Polícia Federal:- O endereço do escritório do doutor Roberto?

Defesa:- Como?

Delegado da Polícia Federal:- Endereço do escritório do doutor?

Defesa:- Rua Padre João Manoel, 755, 19º andar.

Delegado da Polícia Federal:- 755?

Defesa:- 755.

Delegado da Polícia Federal:- 19º. O telefone do escritório para contato se quiser?

Defesa:- 3060.3324.

Delegado da Polícia Federal:- 11 3060-3324, perfeito. A doutora Valeska vai participar também ou não?

Defesa:- Não, vai ficar fora.

Delegado da Polícia Federal:- Ok.

Defesa:- Quem?

Defesa:- A Valeska. Só nós dois. Eu posso gravar o depoimento?

Declarante:- Cadê a minha?

Delegado da Polícia Federal:- Pode.

Defesa:- Vê se a Valeska quer entrar.

Declarante:- Cris, vê se o Morais tem um lencinho de papel para mim.

Não identificado:- Morais, você tem um lenço de papel?

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 2

Delegado da Polícia Federal:- Podemos começar, então, senhor Presidente?

Declarante:- Estou pronto.

Delegado da Polícia Federal:- Bom, nós vamos dar início agora ao seu termo de declarações gravado em áudio e vídeo, a qualquer momento ele vai estar à disposição do senhor, da sua defesa, um DVD com o áudio desta audiência, do qual nós só vamos fazer um termo constando que as perguntas e as respostas foram gravadas em áudio e vídeo e à disposição dos senhores. Então hoje, no dia 4 de março, às 8 horas da manhã, estando presente o senhor Luiz Inácio Lula da Silva com seus advogados, identificados no termo de declarações, eu, Luciano Flores de Lima, Delegado de Polícia Federal, acompanhado do Delegado da Polícia Federal Ricardo Hiroshi, dos agentes Prado e Gabriel, acompanhado dos senhores Procuradores da República, doutor Orlando e doutor Julio, damos início ao termo de declaração passando a fazer as seguintes perguntas: qual era a sua vinculação com o IPEC, Instituto de Pesquisa e Estudos de Cidadania, antes da alteração da denominação para Instituto Inácio Lula da Silva? Antes, desculpe, me desculpe, antes eu só gostaria de deixar registrado que, como o senhor está na condição de investigado, o senhor não é obrigado a responder as perguntas que eu vou lhe fazer, o senhor só responde se quiser e o seu silêncio não vai lhe prejudicar por conta apenas do silêncio, está bem? Por gentileza, a pergunta, qual era a sua vinculação com o IPEC, Instituto de Pesquisa e Estudos de Cidadania, antes da alteração da denominação para Instituto Inácio Lula da Silva?

Declarante:- O instituto é de 1992, eu era o presidente do instituto até virar Presidente da República, acho que até 1 ano antes eu saí da presidência do instituto, e chamava-se Instituto da Cidadania, no instituto a gente produzia projetos, o projeto “Fome Zero” foi produzido no instituto, o projeto “Minha Casa Minha Vida” foi produzido no instituto, nós produzimos propostas de segurança pública, propostas para a juventude, proposta de educação, lá eu criei uma coisa chamada “Governo Paralelo”, logo depois que eu perdi as eleições para o Collor, e quando eu deixei a presidência eu decidi voltar para lá porque era o lugar que (inaudível).

Delegado da Polícia Federal:- Qual a atividade exercida pelo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva?

Declarante:- Qual a atividade exercida pelo instituto agora? A atividade minha, a primeira, é difundir as políticas públicas bem sucedidas no meu mandato, que foram muitas, a ideia era você trabalhar muito com o continente africano, muito com o continente latino-americano, sobretudo para você levar as experiências na área de educação, na área do Bolsa Família, na área do PAA que é a compra de alimento, na área do programa Luz Para Todos, ou seja, a ideia fundamental era convencer os governantes dos países mais pobres que o Brasil que era possível a gente resolver os problemas dos pobres se a gente colocasse os pobres no orçamento da União, que você tem no orçamento da União o Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério Público, Poder Judiciário, e você não tem os pobres, então na hora que você coloca o pobre dentro do orçamento você começa a fazer a economia andar, foi isso que nós fizemos, e o instituto serve para divulgar isso, andar pelo mundo mostrando exatamente o que a gente conseguiu fazer no Brasil, porque a grande novidade no mundo é as pessoas saberem como é que nós conseguimos elevar 40 milhões de pessoas à classe média e como é que nós conseguimos tirar 36 milhões de pessoas da pobreza absoluta, esse é o grande segredo do mundo.

Delegado da Polícia Federal:- Quando o senhor tirou 36 milhões de pessoas da pobreza absoluta, qual era a população do Brasil?

Declarante:- Era 200 milhões de habitantes.

Delegado da Polícia Federal:- Então mais de 15%…

Declarante:- Ou 198, 199, uma coisa assim, a população de 10 anos atrás, era 200 milhões de habitantes.

Delegado da Polícia Federal:- Então o senhor afirma que mais de 15% vivia na pobreza absoluta?

Declarante:- Era aproximadamente 15%, era aproximadamente 54 milhões de pessoas.

Delegado da Polícia Federal:- Na pobreza absoluta?

Declarante:- Aí quando nós tivemos o estudo em 2003, dados do IBGE, nós tínhamos por volta de 54 milhões de pessoas vivendo na extrema pobreza no Brasil.

Delegado da Polícia Federal:- Então, mais de 1/4o da população brasileira nessa época…

Declarante:- Eram pessoas que viviam na pobreza, ganhavam menos que, eu não sei se eram 2 dólares por dia, 1 dólar por dia, e nós conseguimos fazer essa revolução fazendo com que chegasse um pouquinho de dinheiro na mão do pobre desse país.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E para que o senhor fizesse isso, o seu instituto atingir esses objetivos, o senhor conta com que fonte de renda no instituto?

Declarante:- Doações, sim.

Delegado da Polícia Federal:- Doações sem contrapartida?

Declarante:- Sem contrapartida.

Delegado da Polícia Federal:- E a despesa, qual é a saída de…

Declarante:- Aí não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, eu não pergunto números, o senhor autoriza que seja gasto…

Declarante:- Eu não autorizo porque eu não, no instituto hoje eu sou só presidente de honra e você sabe que se um dia você for presidente de honra da Polícia Federal aqui você não representa mais nada, ou seja, então o presidente de honra é um cargo de honra só, eu não participo das reuniões da diretoria, eu não participo das decisões, porque o instituto tem uma diretoria própria.

Delegado da Polícia Federal:- Nos últimos 10 anos quem decide pelo Instituto Luiz Inácio Lula da Silva?

Declarante:- Nós últimos dez anos o instituto ficou, ficou, o instituto começou a funcionar mais fortemente agora quando eu deixei a presidência, ele funcionava muito antes de eu deixar a presidência, antes de eu ser presidente, no tempo que eu fui presidente ele ficou morno, o último projeto nosso acho que foi o Projeto da Juventude, e voltou agora à atividade, quando eu deixei a presidência.

Delegado da Polícia Federal:- E, quando o senhor deixou a presidência, quem dirigia no sentido de autorizar despesas, investimentos feitos pelo instituto?

Declarante:- Não, quem é o presidente do instituto é o companheiro Paulo Okamotto.

Delegado da Polícia Federal:- Desde quando?

Declarante:- Desde agora, desde que eu deixei a presidência.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E é ele quem autoriza tanto a receber doações, quanto a efetuar pagamentos e investimentos?

Declarante:- Ele e a diretoria.

Delegado da Polícia Federal:- Quem faz parte da diretoria?

Declarante:- Da diretoria faz parte a companheira Clara Ant, faz parte do ex-ministro Luiz Dulci, faz parte o ex-ministro Paulo Vanuchi, faz parte o companheiro Celso Marcondes que é jornalista, esses são os diretores do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E eles fazem votação ou o que o senhor Paulo Okamotto decidir está decidido?

Declarante:- Não, todos decidem, discutem, aí não, não, não pergunte para mim que, que, eles discutem como qualquer diretoria discute qualquer coisa, aprovam, desaprovam, decidem o que vai executar, o que não vai executar.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O senhor tem algum conhecimento se eles podem efetuar pagamentos a qualquer título, por exemplo, se resolverem fazer curso para quem trabalha no instituto em um determinado país, para pagar as despesas, ou se é possível reformar um imóvel com um dinheiro recebido de doações do Instituto Lula?

Declarante:- Eu penso, eu não sei no instituto especificamente, mas eu tenho consciência que eles devem fazer o que manda a lei que regula as fundações e os institutos.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Qual a função que o senhor exercia na condição de presidente de honra do Instituto Luiz Inácio Lula da Silva?

Declarante:- Eu era, na verdade eu era a fotografia do instituto, eu era a cara do instituto, era não, eu sou a cara do instituto, o instituto está ali por minha causa, o do Clinton só existe por conta dele, o do Kofi Annan só existe por conta dele, qualquer instituto só existe em função da cara da pessoa que dá o nome, o Instituto Mandella existe por causa do Mandella, então o instituto vai existir, eu não sei se vai persistir quando eu morrer, mas enquanto eu existir está lá o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor participa de eventuais reuniões da diretoria para ajudar na decisão de…?

Declarante:- Algumas, algumas, eu não gosto de participar das decisões.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Com que frequência o senhor tem participado nos últimos 5 anos?

Declarante:- É raro, é raro, porque eu não gosto de participar da reunião de diretoria.

Delegado da Polícia Federal:- Por que?

Declarante:- Porque eu trabalho com a ideia que os diretores têm que ter muita autonomia com relação a mim. Como eu sou uma figura muito forte, se eu participo das reuniões, ou seja, dá a pressão que o que eu falar vira lei, então eu não participo que é para eles tomarem as decisões que entenderem corretas para o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Na qualidade de presidente, Paulo Okamotto exercia que tipo de função, que tipo de atividade?

Declarante:- Coordenava o instituto, coordena as atividades do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Quantas sedes têm o instituto, quantas sedes, ele existe em quantos lugares?

Declarante:- Só em São Paulo, só naquele lugarzinho ali.

Delegado da Polícia Federal:- No lugarzinho, o senhor se refere à sede identificada como instituto?

Declarante:- Identificada. E a casa é alugada, encostada.

Delegado da Polícia Federal:- Junto, né. O Instituto Lula é locatário de um imóvel situado na Rua Domício Afonso da Gama, nº 57, na Vila Damásio, São Bernardo do Campo, ele usa essa sede, ele aluga de alguém essa sede?

Declarante:- Primeiro, eu não sei onde fica a Rua Damásio.

Delegado da Polícia Federal:- Mas em São Bernardo do Campo existe alguma sede do Instituto Lula?

Declarante:- Acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não saberia?

Declarante:- Eu acho que não existe não, pelo que eu sei não.

Delegado da Polícia Federal:- E por que pode existir sem o seu conhecimento ou existiria sem seu conhecimento?

Declarante:- Não, não deve existir. Eu estou estranhando a sua pergunta porque eu não sei se existe.

Delegado da Polícia Federal:- E no bairro Pinheiros, no bairro Pinheiros, ao lado de um batalhão da polícia militar?

Declarante:- O bairro Pinheiros não é onde, não é…

Delegado da Polícia Federal:- Desculpe, é Ipiranga.

Declarante:- Pois é, mas é lá mesmo que nós temos.

Delegado da Polícia Federal:- Lá existe uma sede que o senhor se referiu, identificada…

Declarante:- Existe uma casa alugada perto do batalhão.

Delegado da Polícia Federal:- Do lado do batalhão, né?

Declarante:- Do lado do batalhão.

Delegado da Polícia Federal:- Exatamente. O que funciona naquela sede?

Declarante:- Funciona uma parte da sede porque o instituto lá é pequeno.

Delegado da Polícia Federal:- E por que lá não é identificado como Instituto Lula, essa sede ao lado do batalhão, lá não existe placa que indicam que é o Instituto Lula?

Declarante:- Mas nem no instituto existe placa.

Delegado da Polícia Federal:- Ok, não tem também identificação, tá certo. Lá existe um local, o senhor saberia dizer o que exatamente tem nessa sede?

Declarante:- Lá funciona a assessoria de imprensa, lá funciona o blog do instituto, lá funciona a presidência do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O senhor conhece Jair Francisco Sapurani?

Declarante:- Deve ser o proprietário que alugou a casa.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor tem alguma relação com ele?

Declarante:- Não. Quando eu era presidente, eu lembro que ele era assistente (inaudível), mas não tenho relação de amizade com ele.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor disse que nessa sede, ao lado da polícia militar, funciona a diretoria, assessoria de imprensa.

Declarante:- Funciona a presidência.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E na outra sede, a mais conhecida, o que funciona lá?

Declarante:- Vou pegar um café aqui, deixa eu pegar um café.

Delegado da Polícia Federal:- Isso. Se o senhor quiser, vamos ajudar, vamos colocar o cafezinho aqui mais perto da gente, para a gente também poder se servir.

Declarante:- Qual era a pergunta?

Delegado da Polícia Federal:- O senhor descreveu quais são os setores do Instituto Lula que funcionam naquela sede ao lado da polícia militar, e aquela outra sede, a mais conhecida, quais são os setores do Instituto Lula que funcionam lá?

Declarante:- Lá tem a minha sala, tem a Clara Ant que é diretora que funciona lá, tem o Luiz Dulci que é o ex-ministro que funciona lá, tem o ministro Paulo Vanuchi que funciona lá e tem os funcionários que trabalham.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Como é que são feitas, como é que são colhidas as doações por empresas para o Instituto Lula?

Declarante:- Como qualquer outra empresa ou qualquer outro instituto, ou você recolhe fazendo o projeto ou você recolhe pedindo dinheiro.

Delegado da Polícia Federal:- Quem tem essa função de pedir dinheiro em nome do instituto?

Declarante:- A direção do instituto, isso é feito em qualquer instituto, isso vale…

Delegado da Polícia Federal:- Alguma pessoa em específico?

Declarante:- Isso vale, não, deve ser o tesoureiro e o diretor financeiro do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Quem são?

Declarante:- Hoje eu acho que é o Celso Marcondes, mas isso funciona como qualquer instituto, do Fernando Henrique Cardoso, do Sarney, do Bill Gates, do Bill Clinton, do Kofi Annan.

Delegado da Polícia Federal:- Há 5 anos atrás, quem tinha essa função de pedir doações a empresas em nome do Instituto Lula?

Declarante:- Sempre o diretor financeiro.

Delegado da Polícia Federal:- Cinco?

Declarante:- Sempre o diretor financeiro.

Delegado da Polícia Federal:- Quem foram os diretores financeiros nos últimos 8 anos?

Declarante:- Nos últimos 8 anos, não tinha diretor financeiro nos últimos 8 anos.

Delegado da Polícia Federal:- Desde que começou a ter o diretor…

Declarante:- Nós tivemos, tivemos acho que a companheira Clara Ant por um período e depois o Celso.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Em que período seria a senhora Clara Ant, em que período ela…

Declarante:- Eu acho que depois que nós voltamos.

Delegado da Polícia Federal:- Nós voltamos?

Declarante:- Da presidência.

Delegado da Polícia Federal:- Em 2011, janeiro de 2011?

Declarante:- em 2011.

Delegado da Polícia Federal:- Ela começou a exercer essa atividade de diretoria financeira?

Declarante:- Eu não sei se ela começou a exercer, aí eu não tenho certeza, pode perguntar pAra ela.

Delegado da Polícia Federal:- Ela era sua assessora no palácio do planalto?

Declarante:- Ela era deputada estadual, ela era dirigente do PT, ela foi dirigente e fundadora da CUT e ela era a pessoa que trabalhava as informações do governo na presidência da república.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O senhor lembra qual era o salário dela quando ela passou a trabalhar no instituto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Do diretor financeiro em geral do instituto?

Declarante:- Não, é tudo igual, não tem acho que de diferença naquele…

Delegado da Polícia Federal:- Em torno de quanto mais ou menos?

Declarante:- Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- É comum as empresas procurarem espontaneamente o Instituto Lula para oferecer doações?

Declarante:- Não. Aliás, eu não conheço ninguém que procura ninguém espontaneamente para dar dinheiro, nem o dízimo da igreja é espontâneo, se o padre ou o pastor não pedir, meu caro, o cristão vai embora, vira as costas e não dá o dinheiro, então dinheiro você tem que pedir, você tem que convencer as pessoas do projeto que você vai fazer, das coisas que você vai fazer. Lamentavelmente, no Brasil ainda não é uma coisa normal, mas no mundo desenvolvido isso já é uma coisa normal, ou seja, não é nem vergonha, nem crime, alguém dar dinheiro para uma fundação, aqui no Brasil a mediocridade ainda transforma tudo em coisas equivocadas.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor chegou a procurar alguma empresa para pedir dinheiro para esses projetos no Instituto Lula?

Declarante:- Não, porque não faz parte da minha vida política, ou seja, eu desde que estava no sindicato eu tomei uma decisão: eu não posso pedir nada a ninguém porque eu ficaria vulnerável diante das pessoas.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor nunca pediu dinheiro em nome do instituto?

Declarante:- Não, e pretendo não pedir nos últimos anos que eu tenho de vida.

Delegado da Polícia Federal:- Era só o diretor financeiro que pedia ou mais alguém fazia esse tipo de pedido?

Declarante:- Deve ter mais gente que pedia, aí teria que perguntar para quem conhece.

Delegado da Polícia Federal:- Para quem o conhece?

Declarante:- Deveria perguntar para quem conhece.

Delegado da Polícia Federal:- Que seriam os diretores financeiros?

Declarante:- O Paulo Okamotto, pode perguntar para o Paulo quem é que pedia.

Delegado da Polícia Federal:- Qual era a função do Paulo?

Declarante:- O Paulo é o presidente do instituto, o Paulo coordena o instituto, coordena as reuniões, o Paulo coordena as decisões do instituto, o papel de presidente.

Delegado da Polícia Federal:- Também pede dinheiro para o instituto?

Declarante:- Eu acho que pode pedir, não sei se pede, mas eu acho que pode pedir.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não lembra, porque o fluxo financeiro do instituto é grande, então eventualmente pode…

Declarante:- Ele é menos do que eu precisava.

Delegado da Polícia Federal:- Não, sem entrar nesse mérito, mas eventualmente uma doação grande ela deve ser comemorada…

Declarante:- Não havia comemoração.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, não, no sentido de que uma empresa, num instituto que tenha uma determinada finalidade, eu acredito que uma doação grande inserida é chegada com bons olhos, ou seja, essa notícia é transmitida, eu falei isso para lhe perguntar, o senhor lembra do senhor Paulo Okamotto comemorando, dando uma boa notícia para a diretoria de que eventualmente tenha recebido uma quantia suficiente para um determinado projeto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Tem um valor mínimo de doação, tem alguma definição?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- É dado recibo?

Declarante:- É, porque tudo tem que ser legalizado, se a pessoa dá o dinheiro eu acho que a pessoa quer comprovação que doou.

Delegado da Polícia Federal:- E é por transferência ou em reais?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Qual era o montante médio anual de recurso auferido?

Declarante:- Ah, não sei, não pergunte para mim essas coisas financeiras porque eu não cuido disso.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Não teria nem ideia de quanto…

Declarante:- Nem no instituto e nem em casa eu cuido disso, em casa tem uma mulher chamada dona Marisa que cuida e no instituto tem pessoas que cuidam.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não faz nem ideia?

Declarante:- Não faço ideia.

Delegado da Polícia Federal:- De quanto entra em dinheiro?

Declarante:- E faço questão de não fazer ideia.

Delegado da Polícia Federal:- Como são destinadas e aplicadas essas doações?

Declarante: Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Quem decide o senhor falou sobre quem aplica e tal, então seria a diretoria?

Declarante:- A diretoria.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor recebe uma remuneração pelo instituto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Existe algum museu sendo construído, reformado?

Declarante:- Teria se o Ministério Público tivesse deixado, porque nós entramos com o pedido, o Kassab nos deu um terreno ali próximo à região da Estação da Luz, onde está fazendo… Aquela região do crack lá, a cracolândia, o Kassab nos deu o terreno que a gente queria fazer o Memorial da Democracia, o Ministério Público de São Paulo entrou com um processo e está suspenso até agora, então não tem; eu pensei em levar para a universidade, mas aí resolvi deixar lá.

Delegado da Polícia Federal:- E foi enviado algum recurso para a África para eventualmente ajudar na miséria ou fome, alguma coisa assim?

Declarante:- Não, não.

Delegado da Polícia Federal:- Aqui no Brasil foi…

Declarante:- Que eu saiba não.

Delegado da Polícia Federal:- E aqui no Brasil?

Declarante:- Deixa eu lhe falar, o instituto não é uma ONG, o instituto não é, eu tomei uma decisão que o instituto não seria uma ONG, nós não vamos fazer um instituto que “Ah, mandar 10 milhões para cuidar não sei do que, não sei aonde”, não, não é esse o papel do instituto, o papel do instituto é tentar mostrar para as pessoas que é possível pescar, o papel do instituto é ensinar as pessoas a pescar os mesmos peixes que nós pegamos no Brasil, mostrar que é possível um país se desenvolver, evoluir, gerar emprego, gerar renda, melhorar a vida de todo mundo, melhorou a vida da Polícia Federal pra cacete no meu governo, melhorou a vida dos catadores de papel pra cacete, melhorou a vida do pequeno produtor rural como nunca melhorou nesse país, então o que nós fazemos é mostrar o que acontece, o que é possível fazer num país, esse é o papel do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- E o meu papel pessoal, porque eu faria isso independentemente de instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Mudando um pouquinho de assunto agora, o senhor conhece a empresa G4 Entretenimento e Tecnologia Digital?

Declarante:- Eu não conheço, mas eu sei que acho que é do, o meu filho acho que era sócio dela, G4.

Delegado da Polícia Federal:- Qual filho?

Declarante:- O Fábio.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor sabe quais as atividades exercidas por ela?

Declarante:- Não sei. Esse negócio de game, não me pergunte nada que eu sou analfabeto.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor saberia dizer, ele já comentou com o senhor quantos empregados, ele dá emprego para quanta gente lá, quantas famílias sobrevivem dela, não sabe dizer?

Declarante:- Não, cada um cuida do seu nesse país.

Delegado da Polícia Federal:- Mas, assim, mais de 5, mais de 20?

Declarante:- Eu não sei, querido, não tenho a menor noção.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor sabe onde ela se situa?

Declarante:- Não. Aliás, eu nunca fui.

Delegado da Polícia Federal:- Além do seu filho Fábio, seria um dos sócios dela, quem seriam os outros sócios?

Declarante:- Não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- E ela já recebeu valores do Instituto Lula?

Declarante:- Se prestou serviços, não recebeu benefícios, recebeu pagamentos, eu não sei se prestou serviços, mas se prestou serviços recebeu, todo mundo que presta serviços para o instituto recebe.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor sabe se ela prestou algum serviço?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor conhece a empresa Flex BR Tecnologia Ltda.?

Declarante:- Essa eu faço questão que você conheça.

Delegado da Polícia Federal:- Eu não conheço.

Declarante:- Eu não conheço, quero que você conheça, eu não conheço, quero que você vá conhecer.

Delegado da Polícia Federal:- Por quê?

Declarante:- Porque é uma peça de ficção, eu não conheço, não sei onde fica, eu sei que vocês estão investigando ela porque eu vi no relatório, Deus queira que vá muita gente da Polícia Federal lá para ver, e ver o que ela já produziu na vida.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor acha que é positivo ou negativo o que ela produz?

Declarante:- Não, deixa vocês investigarem que é melhor. Eu só espero que depois que investigarem me deem um atestado de estar dizendo a verdade sobre cada coisa, só isso.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor afirma que nunca ouviu falar nessa empresa?

Declarante:- Se eu não ouvi falar? Se eu não tivesse ouvido falar eu teria ouvido aqui na petição que me mandaram aqui, porque tem escrito nela.

Delegado da Polícia Federal:- Não, mas assim, antes de ter…

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não, nunca, não tem conhecimento, ok. Obviamente, então, o senhor saberia falar alguma coisa entre ela e o Instituto Lula, alguma relação entre elas?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Em relação a Camargo Correa, Construtora Camargo Correa, que relação ela pode ter com o Instituto Lula?

Declarante:- Nenhuma.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor tem conhecimento se ela fez doações ao Instituto Lula?

Declarante:- Até saiu na imprensa que ela fez.

Delegado da Polícia Federal:- E o senhor sabe dizer quem pediu as doações para ela?

Declarante:- Eu vou repetir, deve ter sido ou o tesoureiro do instituto ou algum diretor do instituto, ela deu para o instituto acho que a metade do que ela deu para o Fernando Henrique Cardoso, metade, deveria ter dado mais, mas deu menos.

Delegado da Polícia Federal:- E quem é o tesoureiro do instituto?

Declarante:- Olha, eu vou repetir aqui, ou é o Celso Marcondes ou é a Clara Ant, se não for nenhum dos dois é o presidente do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Ok.

Declarante:- Se não for o presidente do instituto…

Delegado da Polícia Federal:- O Paulo Okamotto então pode ser tesoureiro também, ele pode exercer a função de tesoureiro também?

Declarante:- Quem?

Delegado da Polícia Federal:- O Paulo Okamotto.

Declarante:- É que o presidente é a maior autoridade do instituto, é a maior autoridade do instituto, então mesmo coisas que a tesouraria faça muitas vezes têm que passar por ele, é assim até no Corinthians.

Delegado da Polícia Federal:- Então é possível, por exemplo, que o próprio Paulo Okamotto ou a Clara Ant tenham pedido doações a qualquer empresa, entre elas a Camargo Correa?

Declarante:- É possível, é possível.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. O mesmo se aplica à OAS, ou seja…

Declarante:- A todas.

Delegado da Polícia Federal:- Odebrecht?

Declarante:- A todas.

Delegado da Polícia Federal:- Andrade Gutierrez?

Declarante:- Aos bancos…

Delegado da Polícia Federal:- À UTC?

Declarante:- Todas, todas, todas.

Delegado da Polícia Federal:- Queiroz Galvão…

Declarante:- Todas.

Delegado da Polícia Federal:- Enfim, todas essas fizeram doações ao Instituto Lula…

Declarante:- Não sei se todas fizeram.

Delegado da Polícia Federal:- Não sabe?

Declarante:- Não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- Você perguntou da, da…

Delegado da Polícia Federal:- Camargo Correa…

Declarante:- Da Camargo Correa, eu disse que a imprensa já deu que a Camargo Correa tinha doado dinheiro para o instituto e disse que ela doou metade do que doou para o Fernando Henrique Cardoso, o restante…

Delegado da Polícia Federal:- O senhor saberia dizer quem na Camargo Correa seria o interlocutor da Camargo Correa para fazer doação, ou da OAS?

Declarante:- Não sei. Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Alguém da OAS, alguém da Andrade Gutierrez, que a gente possa verificar porque passou por essa pessoa?

Declarante:- Eu já disse para você que a mim não interessa discutir esses assuntos, não me interessa.

Delegado da Polícia Federal:- Em razão das doações ao Instituto Lula, o senhor já gestionou pelos interesses dessas empreiteiras em contratos e financiamentos?

Declarante:- Não entendi a pergunta. Dormiu pouco essa noite?

Defesa:- Não, dormi bem.

Delegado da Polícia Federal:- Em razão das empresas que doaram valores para o Instituto Lula, como essas, Camargo Correa, OAS ou qualquer uma outra, o senhor já chegou a fazer gestão para que elas fizessem algum contrato com a administração pública federal?

Agente da Polícia Federal:- A hora que precisar interromper para comer alguma coisa, então. Já está tudo aqui, o Morais trouxe.

Declarante:- O que vocês têm aqui para comer?

Delegado da Polícia Federal:- Não, pode dar uma olhadinha aí, pode abrir, o que achar que é bom…

Defesa:- O pior é que tem os outros todos olhando aí…

Delegado da Polícia Federal:- Não, a gente tomou café, o ex-presidente no fim saiu sem café e tem todo o direito aí de se alimentar.

Defesa:- E pode parar se quiser.

Declarante:- Eu não quero só um pãozinho.

Delegado da Polícia Federal:- Então vou aproveitar para pegar um cafezinho também.

Declarante:- Então eu vou escolher o misto quente.

Defesa:- Deveria ter pego outro.

Declarante:- Não, é a mesma coisa, vou comer um misto quente… O senhor quer?

Defesa:- Não, obrigado.

Declarante:- O senhor tomou café em casa?

Defesa:- Comi alguma coisinha no caminho.

Declarante:- Tem pão de queijo aqui, olha, quem quiser pão de queijo.

Delegado da Polícia Federal:- Acho que trouxeram para todos.

Declarante:- Não, foi para todos, não foi só pra mim.

Delegado da Polícia Federal:- Doutor, eu vou passar para o senhor um mandado de intimação para uma audiência, uma audiência que o senhor Luiz Inácio Lula da Silva deve comparecer em São Paulo mesmo, no Fórum, enquanto eu continuo as perguntas o senhor olha se está tudo ok, depois a gente só pega a assinatura.

Defesa:- Está bom.

Delegado da Polícia Federal:- A via dos senhores e depois pegar o ciente. O senhor fique à vontade, quando a gente for recomeçar o senhor só me avisa.

Declarante:- Você sabe que…

Defesa:- Está desligada, né?

Delegado da Polícia Federal:- Não.

Defesa:- Mas só lembrar o seguinte, continua ligado isso daqui.

Declarante:- Se quiser continuar, pode continuar, eu sei falar de boca cheia.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, eu só não quero atrapalhar o seu café.

Declarante:- Na fábrica a gente trabalhava em horário corrido, você tinha meia hora para comer, então era uma desgraça, você comia falando, então…

Defesa:- Quem tirou tanta gente da miséria tem direito a comer também.

Delegado da Polícia Federal:- É verdade.

Declarante:- É leite, isso é chá, né?

Delegado da Polícia Federal:- Isso aqui é chá.

Defesa:- Eu acredito que já houve uma carta precatória em São Paulo, o senhor sabe dizer se é a mesma?

Delegado da Polícia Federal:- Olha, eu não faço a mínima ideia do que é isso aí, só chegou para mim agora o mandado da intimação, não sei nem da onde veio direito, não tive tempo de ler.

Defesa:- Há um réu numa ação penal que arrolou o senhor como testemunha, o réu José Carlos Bumlai, e ao que me consta já chegou a intimação, mas parece que o juiz aqui que preside o processo fez encaminhar ele diretamente uma nova intimação. O estranho é que veio na verdade sem precatória, mas a forma como chegou, quem é que encaminhou isso aqui, esse documento?

Delegado da Polícia Federal:- Chegou no e-mail do colega aqui da nossa equipe dizendo “Olha, chegou uma ordem judicial pedindo para que tu intimes o ex-presidente Lula”.

Defesa:- Então, é porque eu não estou vendo é o seguinte, quer dizer, há procedimento que se deve observar, então…

Delegado da Polícia Federal:- Talvez isso até favoreça o próprio intimando…

Defesa:- É, na verdade eu prefiro sempre observar o procedimento legal.

Delegado da Polícia Federal:- Então, mas eu costumo dizer sempre “A ordem judicial a gente cumpre e não questiona”, então eu estou cumprindo uma ordem judicial.

Defesa:- Para mim o procedimento é importante.

Delegado da Polícia Federal:- Não, claro, mas eu acho que se o senhor…

Defesa:- Eu gostaria na verdade de saber a origem, porque eu não posso assinar um documento que veio sem carta precatória…

Delegado da Polícia Federal:- Não, eu estou declarando aqui no audiovisual que esse documento chegou por e-mail para a nossa equipe policial, a origem foi…

Defesa:- Tem o número do processo?

Delegado da Polícia Federal:- Está aqui. A 13ª vara federal encaminhando um mandado de intimação, agora, neste momento, eu passo a dar ciência ao senhor Luiz Inácio Lula da Silva que existe uma petição número 5007401-06.2016.404.7000, Paraná, esse é o número do processo, o requerente é o Ministério Público Federal e o requerido é a senhora Marisa Letícia e o senhor Luiz Inácio Lula da Silva, Mandado de Intimação, doutor Sérgio Fernando Moro, Juiz Federal da 13ª Vara Federal, manda a quaisquer autoridades policiais a quem este for apresentado que em seu cumprimento procedam a intimação do senhor Luiz Inácio Lula da Silva, qualificação, para que compareça na sede da Justiça Federal em São Paulo, situada na Avenida Ministro Rocha Azevedo, 25, na sala de videoconferência 1, décimo quinto andar, para audiência de instrução que será realizada por videoconferência no dia 14 de março de 2016, as nove e meia da manhã, ocasião em que será ouvido como testemunha arrolada pela defesa de José Carlos Costa Marques Bumlai, acerca dos fatos descritos na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal nos autos da ação penal 5061578-51.2015.404.7000. Então é apenas um mandado de ordem para uma testemunha, agora se o senhor acha que o procedimento não é correto, aqui não é o momento para o senhor alegar porque eu apenas estou cumprindo um mandado, mas eventualmente o senhor pode peticionar nos autos se o senhor entender que não…

Defesa:- É que me causou surpresa porque foi expedido, pelo que me consta, uma carta precatória, então eu não entendi só a, a…

Delegado da Polícia Federal:- Mas, como eu lhe falei, eu realmente não tenho conhecimento.

Defesa:- A sistemática que foi adotada, há uma duplicidade de atos processuais, até porque é um pouco inusual, mas tudo bem.

Delegado da Polícia Federal:- Mas, assim, como o processo é eletrônico, o processo eletrônico…

Defesa:- A gente vai, vou checar, vou checar.

Delegado da Polícia Federal:- Isso, eu realmente não tenho conhecimento.

Defesa:- Eu tenho o código verificador ali, né.

Delegado da Polícia Federal:- Não, não, não, é que o processo é eletrônico, eles vão saber exatamente se está havendo duplicidade, só precisa assinar.

Ministério Público Federal:- É comum, doutor, principalmente quando não é réu, expede-se a precatória, às vezes tentam por telefone, então é um procedimento para tentar realmente alcançar a pessoa, foi atrás e não obteve aquele sucesso, é mais para tentar achar a testemunha.

Defesa:- Na verdade, a precatória foi expedida e já foi cumprida, então é isso que me causou uma certa estranheza.

Ministério Público Federal:- Não deve ter retornado ainda.

Defesa:- É, pode ser, pode ser.

Ministério Público Federal:- Não deve ter retornado e aí o juiz deve ter tomado essa precaução “Olha, tenta também levar ao conhecimento…”…

Delegado da Polícia Federal:- Então, antes da gente começar só pega o ciente do ex-presidente.

Não identificado:-Aqui no…

Delegado da Polícia Federal:- Isso, essa aqui é nossa via e essa é a deles.

Não Identificado:- Essa aqui é a de vocês?

Delegado da Polícia Federal:- Isto.

Não identificado:- Faz o favor, aqui do lado…

Declarante:- Tem que assinar aqui?

Defesa:- Isso, só colocar ciente.

Não identificado:- 4 de março…

Defesa:- 04/03/2016 e a assinatura do senhor…

Declarante:- Estou fazendo uma coisa remunerada, o acordo de dar esse depoimento que eu vou dar…

Não identificado:- Só rubricar a primeira aí, faz favor, só rubricar. Obrigado.

Defesa:- Essa é uma intimação filmada?

Delegado da Polícia Federal:- É.

Declarante:- Estou pronto.

Delegado da Polícia Federal:- Ok. Então, a partir desse momento, o Coronel Morais passa a estar presente como testemunha, assim como o agente Almeida, apenas para constar. O senhor conhece o senhor José de Filippi Júnior?

Declarante:- Conheço.

Delegado da Polícia Federal:- Qual a relação do senhor com ele?

Declarante:- A relação é de petista, ele foi prefeito de Diadema, foi secretário de Diadema, foi secretário da prefeitura de São Paulo, foi deputado federal.

Delegado da Polícia Federal:- Extraindo essa questão partidária, política, qual é a relação que o senhor tem com ele?

Declarante:- Uma relação pessoal boa.

Delegado da Polícia Federal:- Qual a relação que ele tem com o Instituto Lula?

Declarante:- Ele foi diretor do instituto nos anos, no começo do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E desde quando…

Declarante:- Hoje nenhuma.

Delegado da Polícia Federal:- Desde quando ele não tem mais relação com o instituto?

Declarante:- Ah, desde que eu deixei o instituto, acho que desde que eu fui eleito Presidente ou, ou, eu não sei preciso a data, mas eu penso que ele teve função no instituto até o começo do meu mandato, depois acho que ele deixou, acho que ele deixou, hoje ele não tem nenhuma função.

Delegado da Polícia Federal:- Seria quando mais ou menos?

Declarante:- Ah, eu não sei, querido, precisar a data.

Delegado da Polícia Federal:- Nos últimos seis anos ele exerceu…

Declarante:- Não, acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- Ele foi presidente do instituto?

Declarante:- Foi.

Delegado da Polícia Federal:- Lembra quando?

Declarante:- Não me lembro, deve ter sido logo que eu deixei o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Ele também poderia estar nos últimos anos fazendo pedido de doações para o Instituto Lula, mesmo tendo se desvinculado do instituto?

Declarante:- Para o instituto eu não sei, eu sei que ele foi coordenador da minha campanha em 2006.

Delegado da Polícia Federal:- E ele poderia estar pedindo também para o Instituto Lula, além da campanha?

Declarante:- Aí não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Depois de 2006, ele teria algum pedido em nome do Instituto Lula, continuou exercendo alguma função?

Declarante:- Não, não acredito porque o instituto estava quase paralisado.

Delegado da Polícia Federal:- Em 2006?

Declarante:- É.

Delegado da Polícia Federal:- Então, digamos que até 2011, quando o senhor reativou, digamos assim, o Instituto Lula, ele não deveria estar pedindo doações para o Instituto Lula?

Declarante:- Não deveria, acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- E depois de 2011 ele não estava mais…

Declarante:- Acho que não.

Delegado da Polícia Federal:- Exercendo qualquer função, é isso, ok.

Declarante:- Acho que ele foi eleito deputado federal em 2010, não foi?

Defesa:- Não sei, acho que foi sim.

Delegado da Polícia Federal:- Ele foi prefeito de Diadema?

Declarante:- Foi três vezes prefeito de Diadema, foi secretário de Diadema, foi secretário de obra, foi secretário da saúde aqui em São Paulo, o melhor prefeito que nós tivemos em Diadema.

Delegado da Polícia Federal:- Com a empresa LILS Palestras, o José Fillipi tem alguma relação?

Declarante:- Não tem.

Delegado da Polícia Federal:- Nunca teve?

Declarante:- Nunca teve.

Delegado da Polícia Federal:- Então ele nunca teria autorização para pedir ou fazer agendamento de palestras, tratar qualquer valor de remuneração a palestras?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Isso o senhor afirma com certeza?

Declarante:- Tem 99% de possibilidade que ele nunca tratou disso.

Delegado da Polícia Federal:- Pelo menos com a sua autorização?

Declarante:- É.

Delegado da Polícia Federal:- Em relação à LILS?

Declarante:- Nunca, eu nunca fui fazer uma palestra a convite do Fillipi.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- Nunca conversou comigo sobre isso.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Na condição de tesoureiro da sua campanha de 2006, o senhor tem conhecimento de que construtoras ele teria pedido dinheiro, na qualidade de tesoureiro da sua campanha em 2006 o senhor tem conhecimento para quais construtoras, grandes construtoras do Brasil, ele teria pedido doações para a campanha?

Declarante:- Deve estar na justiça eleitoral, deve estar no relatório apresentado e aprovado pela justiça eleitoral.

Delegado da Polícia Federal:- E com relação à UTC Engenharia, o senhor lembra?

Declarante:- Não lembro. Não me pergunte qual empresa individualmente, a não ser que a gente requeira aí o relatório apresentado pelo PT.

Delegado da Polícia Federal:- Isso a gente tem acesso, mas se o senhor puder lembrar…

Declarante:- Deixa eu lhe falar uma coisa, um Presidente da República que se preze não discute dinheiro de campanha, se ele quiser ser presidente de fato e de direito ele não discute dinheiro de campanha.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. Uma doação de 2,4 milhões feita pela UTC Engenharia, o senhor não tomou conhecimento?

Declarante:- Nem essa e nem outras.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

Declarante:- Mas se ela doou deve estar registrado na justiça eleitoral.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor já ouviu falar, tomou conhecimento de uma possível doação feita pela UTC ao partido dos trabalhadores, em razão de contratos celebrados com a Petrobras, como se fosse uma espécie de, por exemplo, comissão, o senhor já ouviu falar nisso?

Declarante:- Eu não acredito nisso, eu não acredito, em muita coisa que eu vejo na imprensa sobre Lava Jato eu não acredito.

Delegado da Polícia Federal:- Ok, mas o senhor ouviu falar nisso antes da Lava Jato?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- E com relação ao contrato que a UTC Engenharia firmou para o Comperj, o senhor sabe se houve alguma doação para o partido dos trabalhadores em razão disso?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor conhece João Henrique Worn?

Declarante:- Quem?

Delegado da Polícia Federal:- João Henrique W.O.R.N, então pode ser Vorn, Worn.

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor não sabe então dizer qual a relação dele com o José Fillipi?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor sabe se o José Fillipi costuma usar um serviço de táxi com o mesmo taxista?

Declarante:- Serviço de que?

Delegado da Polícia Federal:- Táxi, táxi…

Declarante:- Eu não sei, querido.

Delegado da Polícia Federal:- Não sabe se ele anda de táxi?

Declarante:- Não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Sabe se tem algum taxista que é amigo dele?

Declarante:- Não sei, não sei.

Delegado da Polícia Federal:- Não?

Declarante:- A nossa amizade não chega a tanto.

Delegado da Polícia Federal:- Por isso que eu perguntei qual era a sua relação com ele, o senhor disse que era uma relação boa…

Declarante:- Como é que eu vou saber como ele anda?

Delegado da Polícia Federal:- Mas é que às vezes tem pessoas que a gente conhece que sabe que só anda de táxi.

Declarante:- Espero que ele tenha carro, que ele dirija.

Delegado da Polícia Federal:- É, é, está certo.

Declarante:- Aqui em São Paulo também andar de táxi é uma preferência hoje.

Delegado da Polícia Federal:- Pois é. O senhor conhece Rogério Aurélio Pimentel?

Declarante:- Conheço.

Delegado da Polícia Federal:- Qual a relação que o senhor tem com ele?

Declarante:- Ele trabalhou como segurança desde 1989.

Delegado da Polícia Federal:- Segurança?

Declarante:- Segurança na minha campanha presidencial, depois ele foi trabalhar na presidência da república, foi auxiliar a dona Marisa, depois que eu deixei a presidência da república ele foi trabalhar no SESI.

Delegado da Polícia Federal:- E com o Instituto Lula, ele tem alguma relação?

Declarante:- Nenhuma.

Delegado da Polícia Federal:- Nenhuma? Ele costumava frequentar o Instituto Lula?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não? O senhor tem conhecimento, o Instituto Lula nunca pediu nada para ele, e ele também nunca trabalhou para o Instituto Lula, nunca pediu em nome do Instituto Lula?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- O Aurélio tem algum apelido?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Não?

Declarante:- Não, que eu saiba não.

Delegado da Polícia Federal:- O senhor, quando tiver alguma intervenção…

Defesa:- Ah tá, não, foi só pra…

Delegado da Polícia Federal:- Alguma complementação. Rogério Aurélio Pimentel fazia contato com empresas potencialmente para serem doadoras do Instituto Lula?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- E com a LILS Palestras?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Também não. Da mesma forma que não tinha nunca autorização para pedir doações ou agendar palestras, ele nunca trabalhou para a LILS?

Declarante:- Nem pra pedir, nem pra dar, não tem nenhuma relação.

Delegado da Polícia Federal:- Paulo Cangussú André, o senhor conhece, Paulo Gangussú André?

Declarante:- Paulo?

Delegado da Polícia Federal:- Paulo Cangussú André, acho que André é o sobrenome.

Declarante:- Paulo Cangussú?

Delegado da Polícia Federal:- Talvez o senhor possa conhecer por apelido ou alguma coisa?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Obviamente, então, o senhor não vai dizer se ele tem algum relacionamento com o senhor ou com o Instituto Lula pelo nome.

Declarante:- Paulo Cagussú eu não conheço, aliás é a primeira vez que eu vejo esse nome Cangussú.

Delegado da Polícia Federal:- É, pode ser Paulo André, Paulo André já é um nome…

Declarante:- Paulo André, Paulo André é um menino que trabalha com o Paulo Okamotto.

Delegado da Polícia Federal:- Isto.

Declarante:- Ele é um menino que cuida da infraestrutura, das viagens, de hotéis.

Delegado da Polícia Federal:- Relacionadas ao Instituto Lula?

Declarante:- Instituto Lula.

Delegado da Polícia Federal:- Com palestras?

Declarante:- Não, palestras não, infraestrutura de viagens minhas, se eu for para Brasília é o Paulo André que cuida de avião, se eu for para um hotel é o Paulo André que cuida do hotel, é isso que ele faz.

Delegado da Polícia Federal:- Sempre com recursos do Instituto Lula ou da LILS?

Declarante:- Sempre com recursos do Instituto Lula ou da LILS, depende de quem vai fazer o evento.

Delegado da Polícia Federal:- Ele então é o seu secretário?

Declarante:- Não, ele trabalha para o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E por que ele presta serviços para LILS?

Declarante:- Ele não presta serviços para LILS.

Delegado da Polícia Federal:- É que o senhor acabou de dizer que quando o senhor vai fazer uma palestra ele que marca…

Declarante:- Ele não presta serviço pra LILS, ele presta serviço para o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Mas o senhor vai fazer uma palestra pela LILS, o senhor disse que ele que marca…

Declarante:- Quando eu vou fazer uma palestra pela LILS, o instituto, Clara Ant ou qualquer diretor é que cuida disso.

Delegado da Polícia Federal:- Então o Instituto Lula cuida das suas palestras também?

Declarante:- De algumas, de algumas.

Delegado da Polícia Federal:- E a receita dessas palestras vai para o instituto ou para a LILS?

Declarante:- Ela fica na LILS e vai ser utilizada quando todas as empresas que vocês estão destruindo nesse país não puderem contribuir mais financeiramente, o dinheiro vai ser utilizado para manter o instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Então os mesmos tesoureiros, pessoas que trabalham para o Instituto Lula também prestam serviços para a LILS?

Declarante:- Eles não prestam serviços para a LILS. Deixa eu lhe falar uma coisa, a LILS é uma empresa que foi criada apenas para dar norma jurídica às palestras que eu faço, quando alguém quer contratar a LILS alguém liga diretamente lá para o Instituto, liga para mim, liga para o Paulo, liga pra Clara, liga para todo mundo, certo? Eu montei o escritório da LILS para cumprir norma jurídica, só isso.

Delegado da Polícia Federal:- Ele funciona na mesma sede do instituto?

Declarante:- Não.

Delegado da Polícia Federal:- Qual é a sede dele?

Declarante:- Não, ele não tem sede, na verdade eu coloquei o endereço no apartamento meu para receber correspondência, mas chega…

Delegado da Polícia Federal:- E quem trata dessas palestras, trata dos valores que devem ser contribuídos, quem faz tudo isso?

Declarante:- As pessoas, quando mandam carta, as pessoas mandam carta diretamente para o instituto, para a LILS via instituto.

Delegado da Polícia Federal:- E quem faz essa operação, o secretariado do senhor, vê a sua agenda “Olha, vou fazer”.

Declarante:- Tem agenda minha no instituto…

Delegado da Polícia Federal:- Quem faz isso?

Declarante:- O Marco Aurélio faz minha agenda, a Clara Ant cuida da minha agenda, é a diretora responsável de cuidar de todas as minhas atividades sindicais, políticas, do instituto, tudo passa…

Delegado da Polícia Federal:- E o Paulo André também?

Declarante:- Tudo passa pela mão dela. O Paulo André é apenas a questão de infraestrutura, “Ah, preciso alugar num quarto num hotel”, “Preciso alugar um avião”, precisa fazer outra coisa é com o Paulo André.

Delegado da Polícia Federal:- Certo. E com relação às doações, ele também fazia contato com empresas?

Declarante:- Não, não. Eu não acredito, porque ele é um funcionário do instituto.

Delegado da Polícia Federal:- Ainda é?

Declarante:- Eu não acredito porque ele é um funcionário do instituto, ele não cuida dessas coisas.

Delegado da Polícia Federal:- Ou seja, ele ainda é funcionário do instituto?

Declarante:- Deve ser, é funcionário sim.

Delegado da Polícia Federal:- Hoje é ele…

Declarante:- Ele trabalha diretamente ligado ao Paulo Okamotto.

Delegado da Polícia Federal:- Certo.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA – PARTE 3

Delegado da Polícia Federal:- O senhor conhece, então, a Clara Ant, como o senhor já falou, qual a relação dela com o senhor?

Declarante:- A Clara Ant é fundadora do PT, deputada estadual e trabalha comigo há 25 anos.

Delegado da Polícia Federal:- Com o Instituto Lula o senhor também já falou, que ela ainda está lá, obviamente ela deve frequentar o Instituto Lula, qual seria essa frequência que ela comparece ao…

Declarante:- Quem?

Delegado da Polícia Federal:- A Clara Ant.

Declarante:- Todo santo dia, das 10 às 7, às 8 da noite, todo santo dia.

Delegado da Polícia Federal:- Ela faz contatos com as empresas que são doadoras, colaboradoras?

Declarante:- Não, não faz não.

Delegado da Polícia Federal:- Com relação à LILS, ela faz então contatos, como o senhor falou, acabou de falar?

Declarante:- Ela recebe…

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