Terra em Transe reestreia na Funarte e no Teatro Maria Della Costa

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“Convulsão, choque de partidos. De tendências políticas, de interesses econômicos, violentas disputas pelo poder é o que ocorre em Eldorado, país ou ilha tropical.

Situei o filme aí porque me interessava o problema geral do transe latino-americano,

e não somente do brasileiro. Queria abrir o tema ‘transe’ ou seja,

a instabilidade das consciências. É um momento de crise.”

Glauber Rocha sobre “Terra em Transe”

A Cia. Bará apresenta duas novas temporadas da peça “Terra em Transe”, livremente inspirada no filme homônimo deGlauber Rocha, que é considerado uma obra-prima do Cinema Novo.

A primeira delas ocorre na Funarte, entre 5 e 27 de março, com sessões aos sábados e domingos, às 18h; a segunda, no Teatro Maria Della Costa, de 1º de abril a 4 de junho, às sextas, às 21h, e aos sábados, às 19h. Os ingressos custam até R$20.

‘terra em transe’, adaptação da obra de Glauber Rocha pela Cia. Bará

Funarte São Paulo – Sala Arquimedes Ribeiro

Al. Nothmann, 1058 – Campos Elíseos, São Paulo
CEP 01.216-001 – São Paulo, SP

de 05 a 27 de março, sábados e domingos, às 18h

Sala 1 – Arquimedes Ribeiro

Capacidade: 80 lugares

Duração: 140 minutos

Indicação etária: 16 anos

Gênero: tragédia

Preços:

R$ 20 inteiro e R$ 10 meia  (Estudantes, idosos, professores da rede pública e deficientes)

Próximo aos metrôs Santa Cecília e Marechal Deodoro

Estacionamento Conveniado uma quadra após Funarte esquina com Av. São João.

 

 

Teatro Maria Della Costa (Prêmio Zé Renato)

De 01 de abril a 04 de junho

Endereço: Rua Paim, 72 – Bela Vista

São Paulo – SP

Telefone: 3256-9115

370 pessoas

Bilheteria:

Quinta das 14h às 19h | Sexta das 14h às 21h30 | Sábado das 14h às 22h30 | Domingo das 14h às 20h

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Terra em Transe por Diego Gonzalez – diretor da Cia. Bará

Um Fiat Lux!

Terra em Transe: foco de canhão para arrombar escuridões silenciosas que nos atordoam. Glauber Rocha quis que a terra toda estremecesse, talvez para ver um tremor que trouxesse à tona a força do poder humano, não de uma pessoa, mas de coletivos de pessoas contra as forças conservadoras e reacionárias que, vez por outra, reaparecem encobrindo o sol da vida para impedir futuras primaveras. Pariu uma obra que nos fala de maneira pertinente sobre tempos onde a democracia se fragiliza.

Ele produziu este roteiro em 1967, o Brazyl (com z e y, como escrevia Glauber) encontrava-se enfartado após o golpe de 64 que deu aos militares poder autoritário absoluto, inclusive, sobre a vida cotidiana de cada brasileiro e de cada brasileira. Enfartado, este país caminhou em passos lentos, esperançoso por um regime democrático que só viria em 1985, ainda de maneira paulatina. De lá pra cá, Terra em Transe acompanhou mudanças, avanços e retrocessos políticos econômicos e sociais ao longo da história e sempre dialogando a necessidade das conjunturas do país às necessidades de rupturas e ao significado do “poder”, alimentado pelas vozes de suas respectivas multidões.

Hoje esta obra prima shakespeariana brazylera avança, e avança para o teatro, para falar justamente de poderes políticos, de luta de classes, de democracia e, principalmente, da vida de um artista e suas buscas impulsionadas por um ideal, através da figura do Poeta, personagem central desta epifania, ou melhor dizendo, deste transe profundo que Glauber nos deixou como Rocha viva para ser revista e lapidada pela finitude eterna de nossos tempos. Terra em Transe é um espetáculo que renasce vermelho sangue, cor da paixão, do hálito vertiginoso de dionyzo embriagado de vinho, para ver reascender o fogo de dentro de nossos corpos afim de que possamos sacar os tempos atuais com todas as contradições vividas. Como Antonin Artaud, que via o teatro como um propiciador de curas, desejamos uma imersão coletiva de experiência social-política-filosófica-ritualística na existência humana, operando para descoagular os abcessos sociais e, se possível, nos livrar de tumores futuros. Terra em Transe surge em boa hora. Vamos juntos estremecer a terra.

 

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FICHA TÉCNICA

TEXTO

Glauber Rocha

DIREÇÃO E DRAMATURGIA

Diego Gonzalez

CENÁRIO E FIGURINO

Cia. BARÁ

ILUMINAÇÃO

Ana Lúcia Ventura

SONOPLASTIA

Diego Gonzalez

CRIAÇÃO SONORA

Júlio Battesti

VÍDEOS

Camila Gomes

PROJEÇÃO

Felipe Reis

MÚSICO

Wagner Tibério

 

ELENCO

Alcides Peixe

Aluado Ramoony

Irun Gandolfo

Flavio KaGe

Wagner Tibério

Ruan Azevedo

Sophia Aloha

Décio Eduardo

 

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Categorias:Cultura

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