Plataforma web vai ajudar no descarte de eletroeletrônicos

Plataforma vai indicar onde o usuário pode deixar o eletroeletrônico - Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Plataforma vai indicar onde o usuário pode deixar o eletroeletrônico – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

Por Valéria Dias – valdias@usp.brias@usp.br

Um grupo de alunos da USP está desenvolvendo uma plataforma web para auxiliar na localização de cooperativas de catadores treinadas pela Universidade no Projeto Eco-Eletro, com o intuito de indicar um local para o descarte adequado de resíduos eletroeletrônicos. A plataforma também vai beneficiar essas cooperativas, pois o usuário pode informar que tem um equipamento para ser descartado, ajudando na logística de recolhimento. O Projeto Eco-Eletro oferece a capacitação de cooperativas para a desmontagem segura e rentável de eletroeletrônicos.

Tudo começou durante a etapa brasileira do Climathon 2015, realizado em junho na Agência USP de Inovação, em parceria com o Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica (Poli) da USP e com o Núcleo de Pesquisa em Biodiversidade e Computação (Bio Comp). O Climathon é um desafio mundial proposto pela Climate-KIG, instituto ligado à União Europeia, com o objetivo de buscar soluções inovadoras para melhorar a conservação da biodiversidade nas cidades. “Esse desafio foi um Hackathon, uma competição que ocorreu simultaneamente em várias países. Os participantes deveriam desenvolver, em 24 horas, uma solução ligada a aspectos ambientais e climáticos”, explica Sabrina Gonçalves Raimundo, uma das participantes do grupo e mestranda do Instituto de Biociências (IB) da USP. Posteriormente, o projeto foi apresentado na 21ª Conferência do Clima (COP 21), realizada em dezembro, em Paris.

O grupo brasileiro conta ainda com os alunos de graduação em Tecnologia da Informação da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), Filipe Filardi de Jesus, Thiago Nobayashi, Victor Edoardo Garcia Ribeiro Valeriano e de Fabiano Sampaio (que integrou o grupo até o final da COP 21).

O grupo desenvolveu um game como proposta inicial. “Conforme o usuário fosse jogando e ultrapassando as diversas fases, ele encontraria os locais para descartar os eletroeletrônicos”, explica. Após serem selecionados na primeira etapa do Climathon, eles foram convidados a aprofundar a proposta e tiveram dois meses e meio para desenvolver um plano de negócios, validar o projeto e fazer alguns ajustes.

Sabrina conta que a ideia principal do grupo sempre foi abordar a questão dos resíduos eletroeletrônicos. Eles conversaram com várias pessoas do setor, entre eles, os especialistas do Laboratório de Sustentabilidade (LASSU) da Poli, coordenado pela professora Tereza Cristina Carvalho, e também do Centro de Descarte e Reúso de Resíduos de Informática (Cedir) da USP. O LASSU desenvolve, em parceria com o Instituto GEA Ética e Meio Ambiente, o Projeto Eco-Eletro.

Separar e vender as peças de um computador para empresas recicladoras é muito mais rentável que comercializar os equipamentos inteiros, como sucata. Porém, nesses equipamentos, são encontrados elementos tóxicos (chumbo, mercúrio, cromo) que podem contaminar as pessoas e o meio ambiente; já outros componentes podem ser reaproveitados, como os metais nobres (ouro, prata e platina); além do ferro, alumínio e plásticos. Por isso, a desmontagem exige treinamento. É isso que o Projeto Eco-Eletro proporciona aos participantes.

Após conversar com várias pessoas, o grupo mudou o plano de negócios e optou por desenvolver a plataforma web. A ideia é que os usuários possam localizar a cooperativa mais próxima ou para irem lá descartar ou para informar a cooperativa sobre a existência de um equipamento para ser descartado, gerando um mapa de demanda. “Pensamos também que a existência da plataforma poderia ser uma maneira de incentivar outras cooperativas de catadores a se interessarem pelo treinamento oferecido pelo Projeto Eco-Eletro”, diz.

A nova proposta foi enviada aos organizadores, em Londres. O projeto foi aprovado e, com isso, eles garantiram a participação na COP 21. No total, 12 grupos de vários outros países apresentaram seus projetos para investidores e empresários de várias partes do mundo. “Foi uma apresentação bem curta, de cerca de 2 minutos. Depois, cada grupo ficou em um stand e pudemos explicar a nossa ideia com mais detalhes”, conta.

Atualmente, o grupo está trabalhando no desenvolvimento da plataforma web, e ainda não há um endereço disponível. “Queremos fazer uma versão para smartphones, com cara de aplicativo, mas sem a necessidade de os usuários fazerem download. A plataforma vai oferecer outros recursos para os cooperados, entre eles, a disponibilização de um fluxo de caixa e um localizador dos lugares onde as cooperativas podem vender as peças retiradas dos equipamentos, entre outras funcionalidades”, comenta Sabrina.

De acordo a pesquisadora, a plataforma se transformou em projeto para a vida. Ela lembra que eles não se conheciam antes do Climathon. “A gente se conheceu por acaso durante o evento. Por isso, a Universidade precisa investir mais nesse tipo de atividade porque ela abre os horizontes e a gente sai do laboratório”, ressalta.

Foto: Cecília Bastos / USP Imagens

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Categorias:desenvolvimento sustentável, lixo eletrônico (e-lixo), Meio Ambiente, Notícias

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