Brasil e Alemanha debatem economia da cultura

Ministros da Cultura de Brasil e Alemanha discutiram temas como economia da cultura, regulamentação da internet e audiovisual (Foto: Ascom/MinC)

Políticas para o desenvolvimento da economia da cultura foram o ponto focal da reunião em que o ministro Juca Ferreira recepcionou a ministra de Estado da Cultura e Mídia da Alemanha, Monika Grütters, nesta quinta-feira (20), em Brasília. A ministra alemã compõe a delegação que acompanha a chanceler Angela Merkel em visita à capital federal.
“A agenda do século XXI para a Cultura brasileira passa imprescindivelmente pela cultura digital e economia da cultura”, destacou o ministro Juca Ferreira. A constatação é comum também ao governo alemão, que tem esse setor como o segundo em sua economia nacional, atrás apenas da indústria automobilística. Juca Ferreira explicou o esforço do Ministério da Cultura (MinC) para sensibilizar o Governo Federal a inserir a cultura na base da economia do País. “Ainda somos dependentes da exportação de commodities. A cultura representa cerca de 5% da nossa economia. Acreditamos que podemos dobrar esse percentual nos próximos seis anos”, declarou o ministro.
A economia digital também foi destaque no encontro entre os dois ministros. Juca Ferreira solicitou à alemã Monika Grütters apoio à iniciativa do MinC e do governo brasileiro, que vêm buscando parcerias multilaterais para a adoção de regras internacionais de regulação da internet de forma a garantir o espírito democrático da rede, o direito de autores e o respeito à diversidade cultural, entre outros temas emergentes em ambiente de desenvolvimento das tecnologias da informação e da comunicação.
“Sei que a Alemanha também está trabalhando neste tema da regulamentação da internet para garantir a neutralidade da rede e o pagamento dos direitos autorais e conexos aos artistas”, afirmou Juca Ferreira, destacando os avanços obtidos pelo Brasil com a aprovação do Marco Civil da Internet. Ele acrescentou, que neste momento, está em consulta pública a atualização da Lei de Direitos Autorais de forma complementar ao Marco Civil.
Monika Grütters manifestou apoio à proposta de uma ação multilateral para a regulação da internet, dizendo que este é um problema global que não pode ser resolvido isoladamente pelos países. “As sociedades como as nossas, com tradição na defesa das liberdades, têm de trabalhar juntas. E um País com a importância e as dimensões do Brasil tem papel central neste processo”.
A parceria entre os países diz respeito também à proteção de bens culturais e ao combate do tráfico da produção artística. “A Alemanha quer tornar mais rígida a regulamentação para a entrada de bens culturais no país, passando a exigir uma espécie de certificado de exportação de obras”, informou a ministra. Juca defendeu a medida e explicou que a pauta também é uma preocupação do MinC, que atua por intermédio dos institutos Brasileiro de Museus (Ibram) e do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além da parceria com o Conselho Internacional de Museus (Icom).
Nas telas e telinhas
A ministra alemã comentou com Juca Ferreira a importância do audiovisual na economia da cultura e contou que o investimento governamental na área cinematográfica é um grande ativador da economia. “Para cada euro aplicado, o retorno é de seis euros, segundo uma pesquisa realizada em meu país”. Monika Grütters se disse impressionada com o crescimento e a relevância do cinema brasileiro. Ela citou o filme “Que horas ela volta?”, de Anna Muylaert,  premiado este ano no festival internacional de Berlim, Berlinale. “Os alemães gostaram muito do filme”.
O ministro Juca Ferreira confirmou o bom momento do audiovisual brasileiro: “No começo do governo do ex-presidente Lula, em 2003, o Brasil produzia a média de 10 filmes por ano. Atualmente, estamos com uma produção anual superior a 150”.
O destaque da produção audiovisual também é resultado da Lei da TV Paga, que ampliou a presença do audiovisual brasileiro na programação do mercado da televisão por assinatura. “Estamos crescendo nesse setor porque o Estado está investindo. O subsídio do governo para as produções exibidas na televisão paga rende R$ 1 bilhão ao ano e promove o fortalecimento da identidade e da diversidade cultural do País.
Internacionalização pelas páginas dos livros
A leitura foi outra pauta comum dos ministros da Cultura. A ministra Monika Grütters disse que ainda está na memória dos alemães a forte presença do Brasil na última Feira do Livro de Frankfurt, algo que ampliou muito o interesse do país pela literatura brasileira. Ela foi informada de que o alemão é a língua mais proeminente no programa de Bolsa de Tradução mantido pela Fundação Biblioteca Nacional. No encontro, ficou definido que será desenvolvida uma cooperação entre Brasil e Alemanha para ampliar ainda mais o incentivo à leitura e o intercâmbio literário entre os dois países. O Brasil estará presente na edição deste ano da Feira de Frankfurt, com 10 autores subsidiados com recursos do Brasil e da Alemanha.

Lara Aliano -Assessoria de Comunicação-Ministério da Cultura

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