O economista marroquino colaborou na elaboração de políticas públicas educacionais para mais de 60 países

Especialista propõe estratégias para universidades brasileiras
Jamil Salmi foi consultor do Banco Mundial para ensino superior por 17 anos

[27/04/2015]

 

O ex-coordenador de ensino superior do Banco Mundial, Jamil Salmi, fez a palestra de abertura da Conferência Faubai 2015 que ocorre em Cuiabá, no Mato Grosso até o dia 29 de abril. Durante quase duas horas, o economista marroquino apresentou uma comparação do setor na América Latina e no mundo, analisou o impacto das novas tecnologias no cotidiano da universidade e propôs estratégias para o desenvolvimento das instituições brasileiras.
O marroquino Jamil Salmi é autor de diversos livros sobre o ensino superior e atuou por 17 anos em colaboração com o Banco Mundial oferecendo consultoria para politicas educacionais em mais de 60 países. Esta experiência global permitiu ao economista traçar comparações entre, por exemplo, a América Latina e países da Ásia Ocidental que implantaram reformas bem sucedidas no ensino superior nas últimas décadas.
Segundo ele, a chegada de uma geração de alunos imersos em um cotidiano permeado pelas novas tecnologias exigirá das universidade mudanças nas suas práticas pedagógicas. Para o ex-consultor do Banco Mundial, a continuidade da formação acadêmica e orientações para mudança da carreira também devem ser contempladas nesta mudança, uma vez que esta nova geração se mostra cada vez mais multi-tarefa.
A presença tímida das instituições brasileiras nos rankings internacionais de universidades também foi tema do marroquino, que apontou o pequeno investimento em inovação e a distância entre a universidade e a indústria como alguns dos fatores para este cenário. Jamil lembrou, contudo, da exceção que representa a Embraer neste contexto, ressaltando que desde seu princípio a fabricante de aeronaves do Vale do Paraíba investiu no desenvolvimento de um centro de educação e tecnologia na região, o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica).
A fala do último domingo também propôs estratégias para as universidades brasileiras. Ao contrário do modelo estabelecido no país, Jamil sugere que as universidades foquem em nichos específicos ao invés de abraçar várias áreas do conhecimento. Reformas pedagógicas e de currículo foram outros pontos levantados pelo especialista, citando novamente o exemplo sul-coreano como referência.
Jamil aponta que a internacionalização é um caminho para o desenvolvimento das universidades, sugerindo, por exemplo, a repatriação de pesquisadores brasileiros estabelecidos em outros países. A mobilidade também precisa ser incentivada, mas não de forma isolada. “O programa Ciência sem Fronteiras é importante, mas ele precisa vir junto de reformas efetivas nas universidades que possam suportar este novo contexto global do ensino superior mundial”, explica.

Conferência Faubai 2015

A conferência Faubai deste ano reúne aproximadamente 600 participantes, sendo mais de 350 representantes estrangeiros. A proposta do evento em 2015 é discutir formas de consolidar a imagem de qualidade das universidades brasileiras no intuito de desenvolver parcerias internacionais mais equilibradas e sustentáveis com as instituições estrangeiras.

 

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Categorias:Educação

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