“A Amazônia é um teste decisivo para a Igreja e a sociedade”, alerta cardeal Hummes

Por Jaime C. Patias
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Uma Eucarística carregada de simbologia abriu, na manhã desta quarta, dia 10, as reflexões em curso no Encontro Rede Eclesial Pan-Amazônica que acontece na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM) em Brasília (DF). A missa que foi presidida pelo cardeal Cláudio Hummes, presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB e aconteceu em meio às árvores nos jardins da casa, pôs em evidência símbolos da degradação do meio ambiente: motosserra, pedaços de troncos e pedras.

Reuniu também símbolos da vida, como duas garrafas de água recolhida dos rios Negro e Solimões na Amazônia, frutos típicos da Região e uma lâmpada. O tapete de folhas secas no chão, a copa das árvores com os primeiros raios de sol, o cantar dos pássaros e a visita de um casal de macacos sagui completaram o ambiente de integração com a criação.

Dom Cláudio Hummes, amigo muito próximo do papa atual, contribuiu para a escolha do nome “Francisco”, conforme revelado pelo próprio papa, como expressão do desejo de “uma Igreja pobre e para os pobres”.

Em sua homilia, após chamar atenção para a responsabilidade da Igreja com a Pan-Amazônia, dom Cláudio lembrou o que o papa Francisco disse aos bispos brasileiros no Encontro que teve com eles, por ocasião da JMJ no Rio de Janeiro, em julho de 2013. “A Amazônia é um teste decisivo e um banco de prova para a Igreja e para a sociedade”. Com isso, segundo o cardeal, o papa estava querendo dizer que “estávamos num momento crítico e que, portanto, a Igreja não podia deixar de enfrentar esse desafio com garra, capacidade, coragem e com muita iluminação do Evangelho que nos guia nesse desafio”.
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Na ocasião o papa disse também, que a Igreja na Amazônia deveria ter um rosto amazônico. “Ele questionava se as nossas dioceses e comunidades têm ou não um rosto amazônico na forma como trabalhamos, na nossa pastoral, catequese, liturgia e espiritualidade”, observou dom Cláudio e prosseguiu. “Para o papa, isso implica também num clero autóctone para a Amazônia. Com isso, ele não estava dizendo que os missionários não têm lugar na Região, os missionários sempre são importantes e devem continuar na Amazônia como em toda a Igreja. Mas é necessário começarmos a nos empenhar na busca de clero autóctone, que inclui também clero indígena por que sabemos que os povos indígenas também estão envolvidos nessa questão amazônica e têm muitas dificuldades de serem sujeitos de sua história. Eles acabam sendo objetos de nossos projetos, da sociedade, dos governos, de iniciativas particulares. Isso também nos questiona em termos de Igreja”, destacou o cardeal e questionou: “até que ponto nós conseguimos que eles sejam cada vez mais, pelo menos, sujeitos de sua história religiosa e isso inclui clero e bispos indígenas”. Segundo dom Cláudio, “isso significa inculturação da fé e se insere em a toda a questão ecológica. É muito promissor que o papa esteja escrevendo uma Encíclica sobre a ecologia. Aquilo que nós ouvimos hoje, o ronco da motosserra, esse ronco sinistro, nos alerta que a destruição continua e a questão ecológica não é só da Amazônia, mas de todo o Planeta. E o papa está enfrentando essa questão com responsabilidade”.

O Cardeal lembrou ainda que os defensores da Amazônia enfrentam uma resistência globalizada que não tem como prioridade a ecologia, as populações mais excluídas em especial os indígenas. “Aqui entra o estímulo do papa para irmos às periferias incluir os excluídos. É inaceitável para os cristãos ver pessoas excluídas, povos excluídos. Mas para o grande plano da sociedade humana, parecem natural e óbvio que alguns fiquem de fora. Há países inteiros excluídos. Um cardeal da África me dizia: o meu país não tem futuro, ele não existe, não tem sentido para essa sociedade globalizada. Isso entra no tema que estamos debatendo na Pan-Amazônia”, comentou dom Cláudio.

“Que esta Eucaristia onde celebramos a morte e ressurreição de Jesus seja também força para nós e toda a criação. Que a sua morte seja também redentora para a criação. A ressurreição é a grande certeza de que o bem pode vencer o mal. Que nós comuniquemos também, esta vida nova como prenúncio dos novos céus e da nova terra”, desejou o cardeal.

Participam do Encontro cerca de 60 pessoas representantes de organismos e instituições que atuam na Região Amazônica. O principal objetivo é oficializar uma Rede Eclesial Pan-Amazônica com linhas de ação e estratégias de articulação. As reflexões na manhã desta quarta, 10, apresentaram uma visão panorâmica da Pan-Amazônica e seus desafios desde a perspectiva das mudanças climáticas. Os trabalhos se estendem até sexta-feira, 12.

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Categorias:Amazônia, floresta amazônica, florestas, Religião, Sem categoria

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