A boa e a má sorte de cada um


Pedro Coimbra


Quem não viveu na década de 50 talvez não possa avaliar como o Brasil era pobre, bem longe do consumismo de hoje.

Classe média não existia e as pessoas eram simplesmente divididas em poderosos proprietários rurais e os pobres.

Deslocávamos de uma cidade para outra em prosaicas Maria Fumaças, as mulheres com redinhas na cabeça e os homens de guarda pó para evitar a fuligem das fagulhas.

Dois tios meus, o João Pádua e o Renato Coimbra, eram bem de vida como se dizia e proprietários de carros importados. Pretos. É claro.

Mas quando passávamos pela Praça Sete em Belo Horizonte, mamãe fazia questão de comprar um ou dois bilhetes da rifa de deslumbrantes e coloridos Cadillacs que nunca eram sorteados, evidentemente.

O conceito de sorte, faz parte da vida dos menos favorecidos através de amuletos, como ferraduras de cavalo, trevos de quatro folhas, e confundi-se muitas vezes com forças sobrenaturais. As pessoas já nasceriam com boa ou má sorte.

Nesta época o rádio era o sucesso do momento para todos e o teatro rebolado. o “hit” dos políticos e eninheirados do Rio de Janeiro, Capital da República.

Foi quando surgiu uma revista que se definia pelo próprio título: Escândalo.
Dirigida por Freddy Daltro, pseudônimo do jornalista Nilson Risardi, sua especialidade era as matérias sensacionalistas sobre os artistas.

Então, no dia 17 de junho de 1952, soube-se que Freddy Daltro fora seqüestrado e torturado, só não morrendo por circunstâncias próprias da vida, depois de ser espancado e enterrado na areia da praia..



Nunca se soube quem resolvera eliminar o jornalista difamador. Apenas que tivera muita sorte em sobreviver.
Anos depois nos arredores de Belo Horizonte, Bruno, Macarrão e Coxinha formam uma turma muito unida, solidária na falta de recurso e com relacionamentos familiares estranhos.
Mas Bruno consegue vencer os problemas da vida e com muito talento e sorte torna-se um goleiro famoso.
Ganha muito direito, compra muitas propriedades, continua junto com os amigos Macarrão e Coxinha e anda com lindas mulheres que os amigos denominam de namoradas, amantes e noivas, em orgias sem fim.
Mas, uma delas, Eliza Samúdio, sai dos limites estabelecidos e desaparece.
Para a Polícia foi simplesmente morta pelos asseclas de Bruno.
Vão todos parar na cadeia e fica uma dúvida: Se fosse inocentado Bruno voltaria a jogar num grande clube de futebol?
Má sorte ou boa sorte do goleiro Bruno que pelo andar da carruagem acabaria em outras encrencas.
Na verdade esta é a representação da boa e a má sorte de cada um….
Afinal de contas a boa sorte não é pra qualquer um.

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